terça-feira, junho 20, 2017

100 euros em troca da especialidade?!

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Há coisas que temos de ver para acreditar. Amanhã, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), reunirá com o Ministro da Saúde no sentido de resolver o diferendo com os Enfermeiros especialistas (que vão suspender os cuidados especializados se não forem remunerados para o efeito).
Para tal, o SEP vai propor um suplemento de ...100 euros(!!!!), como forma de reconhecer o exercício dos especialistas (os que a instituição considera que estão em exercício, o que deixa margem para "simpatias" e subjectividades...).
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É este o valor da profissão!? É este o valor dos cuidados altamente diferenciados?!
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O Ministro da saúde tem visto no SEP a possibilidade de isolar a Ordem e o Sindicato dos Enfermeiros (mais reivindicativos para a profissão), ao negociar apenas com uma frouxa força sindical (notoriamente sem ideias, sem estratégia e com uma mentalidade operária)!
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Recordo que o acréscimo de 5 horas semanais rendeu aos Médicos... 1000 euros mensais!
Prestar cuidados especializados de Enfermagem, 35 ou 40 horas por semana, vale apenas 100 euros?!?

sábado, junho 10, 2017

Ameaças à "queima-roupa"?!

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Curioso... o comportamento do Ministro da Saúde, especialmente quando comparado com situações muito semelhantes protagonizadas por outras classes da saúde.

Estas ameaças não são à "queima-roupa"... tal como ele admite, são injustiças que já decorrem há mais de uma década.

Estava visto que a subtracção da categoria de especialista da carreira de Enfermagem iria resultar nisto!

Os Enfermeiros estão unidos e o senhor Ministro ainda não sabe o que está para vir...

terça-feira, abril 04, 2017

Mamas, memória e Austrália!

(Clicar para ampliar e ler)
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Li no Jornal Enfermeiro algumas afirmações (com o recurso a linguagem nada diplomática e colegial!) da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, relativamente a "uma mama que foi retirada a pessoas que acumulavam cargos entre o sindicato e a Ordem durante 18 anos".
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Refere também que, no passado, não faltaram "trafulhices" e que "chegaram a ir 50 pessoas à Austrália e a Ordem a pagar". 
Aqui, "Austrália", refere-se ao Congresso do International Council of Nurses (da qual a Ordem é membro), em 2013.
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Ora:
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1 - É expressamente proibida essa acumulação e em toda a história da Ordem dos Enfermeiros nunca ninguém ocupou cargos simultâneos entre órgãos sociais do sindicato e da Ordem! O SEP e algumas Associações Profissionais sempre tiveram assento na comitiva ao abrigo do protocolo firmado em 2003!
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2 - A diferença entre 50 e 12 (com trabalho devidamente fundamentado) é muita!!
Podemos (des)confirmar e confrontar as suas afirmações com este quadro do Relatório de Actividades e Contas de 2013, devidamente aprovado pelos Enfermeiros na Assembleia Geral Ordinária de 2014
Mais: esta foi a comitiva mais pequena de sempre da história da Ordem dos Enfermeiros neste tipo de eventos!
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Será que o cargo de Bastonário é compatível com a falta de rigor nas afirmações?

Mala de cartão...

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A Ordem escolhe um Enfermeiro de Médico-Cirúrgica para ir representar e discutir os problemas da Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica?!
Daqui a uns dias os de Saúde Metal estão a tratar dos assuntos de Reabilitação e os de Comunitária dos assuntos da Saúde Infantil!!
A Ordem dos Enfermeiros, sufocada, vive dias de desorientação e completa falta de estratégia!

segunda-feira, abril 03, 2017

Enfermadoxos!

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Os Enfermeiros querem ser reconhecidos como licenciados e auferir uma remuneração compatível, mas não querem ter funções (e responsabilidades) de licenciado!

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Ao sabor do vento?


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O acompanhamento da profissão de Enfermagem nunca pode ser descurado, tanto na sua dimensão sindical como no âmbito regulador. 
No último ano, os Técnicos de Emergência viram publicados vários enquadramentos legais que prevêem o alargamento das suas competências.
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Dou dois exemplos de iniciativas objectivamente questionáveis e que colocam em causa a segurança da população (em Portugal, de acordo com a Lei, o apoio avançado à vida só por executado por Médicos e Enfermeiros):
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1- O Sindicato dos Técnico de Emergência Pré-Hospitalar (ex-STAE), vai promover a "1ª Edição do Curso de Electrocardiografia no Pré-hospitalar - Avançado".
Quem é a entidade formadora? A AFPS (Associação Formar para Salvar)... liderada por... um Enfermeiro (que já teve um processo na Ordem pela mesma prática)!!
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2 - Foi publicado, no dia 22/2, o Regulamento n.º 102/2017 no Diário da República n.º 38/2017, o plano de estudos do "Curso de carreira de Paramédico", orientado por uma Organização Não Governamental. 
Nesse plano, podemos constatar que, existe até, um extenso capítulo denominado "Enfermagem em emergência médica e cuidados intensivos". Uma conclusão e dois receios:
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a) Manifestamente, os paramédicos são uma espécie de mini-enfermeiros circunscritos a uma área específica;
b) Este tipo de iniciativas serve de barometrização antecipatória do rumo dos acontecimentos (Ordem dos Enfermeiros... onde está?!) 
c) É legalmente dúbio o uso do termo "Enfermagem" afecto a um curso profissional!

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

As paixões platónicas do Ministro da Saúde!

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O Senhor Ministro da Saúde tem um "amor confesso" pelos Enfermeiros. Com frequência, reitera o valor da importância da Enfermagem, da preponderância dos Enfermeiros no Sistema, do inestimável contributo da classe para a qualidade dos cuidados, etc. As palavras sem consequência atingem sempre um limite da credulidade.
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Se, realmente, o Dr. Adalberto Campos Fernandes reconhece as competências e capacidades dos Enfermeiros... deve demonstrá-lo objectivamente!
Além de uma nova carreira (e respectiva justa retribuição salarial), pode comprovar, de uma forma muito simples, que, de facto, valoriza os Enfermeiros: porque é que não nomeia Enfermeiros para os Conselhos Directivos da ARS's?!
Porque não nomeia Enfermeiros para as Presidências dos Conselhos de Administração Hospitalares?! 

quinta-feira, dezembro 29, 2016

Incompreensível!!!

Porque é que sistematicamente se ouvem notícias de que o SNS está "entupido"? (ex. "gripes entopem urgências")
Porque afunila tudo em torno de um profissional: o Médico. Há que descentrar e empoderar outras classes, como os Enfermeiros.

¿Por qué no te callas, Zé?

(Clicar na imagem para ampliar e ler)
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O Bastonário  da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, podia espreitar como reagem as pessoas aos seus comentários sobre a Linha Saúde 24: ninguém concorda com ele. 
Deixo alguns comentários retirados da notícia veiculada pela SIC. 
O Director-Geral da DGS, Francisco George, já veio a público apoiar a grande utilidade e pertinência da linha e acrescentar que, apesar as afirmações, do bastonário da OM não "gostar" do serviço, o mesmo será aumentado com mais valências, como por exemplo o follow-up de doentes submetidos a cirurgias.
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Na cena surge agora, três meses depois da polémica surgir, a reboque da pressão exercida, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, com uma pequena e frágil posição de apoio, desproporcional ao "ataque" desferido (feito em rádios, televisões e jornais), enquanto que a Ordem dos Enfermeiros emitiu um pequeno comunicado (quase neutro) na sua página do Facebook?!!
porque se lhá dá o braço, não implica que não se defenda os Enfermeiros! 

sábado, dezembro 24, 2016

Intervenções no sector privado precisam-se!

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Há vida para além do negócio do plasma. Em termos práticos não tem repercussões para o benefício da profissão de Enfermagem!
O que era muitíssimo interessante e imprescindível era a Ordem intervir junto do Hospital de Braga (e similares), onde as dotações estão verdadeiramente decepadas e os Enfermeiros (e outros) exercem coarctados! Isso, sim, seria uma intervenção exemplar para todo o sector! Uma intervenção musculada e incisiva, associada à habitual propaganda mediática! Alguns dos grandes problemas da profissão vivem-se aqui, nas grandes instituições privadas, geridas pelos grandes grupos económicos!
Os Enfermeiros dessas instituições também pagam quotas e possuem o mesmo título profissional que os do sector público!!

Cheese!


Assim, de repente, numa leitura da espécie teste de Rorscharch, ocorrem-me as fotos do Mr. Donald Trump e esposa. Um braço dado submisso e ele de sorriso glorioso! 
Ele, que semanalmente critica negativamente os Enfermeiros na comunicação social (ainda recentemente acerca da irrelevância da linha Saúde 24... cuja operacionalidade é da responsabilidade dos Enfermeiros. 
Se fosse assegurada por Médicos... a história era outra: era a melhor iniciativa do nosso sistema de saúde!!!!!) Veja-se ali a elegância e sobriedade da Dra. Alexandra Bento (Ordem dos Nutricionistas). Enquanto uns andavam na praia... ela terminava o doutoramento com distinção!

Quatro tópicos rápidos.

1- Nota prévia: o blog Doutor Enfermeiro denunciou uma grave questão que concerne à realização de estágios profissionais de Enfermagem, para recém-licenciados, pela mão de um grupo privado de saúde (Trofa Saúde). A Ordem dos Enfermeiros reagiu através de um oficio dirigido ao Presidente do grupo. Continua a ser uma Ordem reactiva e não pró-activa!
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2 - Ao contrário das evidências científicas acerca linhas telefónicas asseguradas por Enfermeiros, o Bastonário dos Médicos continua a sua abjecta saga de rebaixamento da Linha Saúde 24 (operada por Enfermeiros). Acho incrível (e estranho) o silêncio da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros na defesa dos colegas e dignidade da profissão!
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3 - Por fim, ainda sobre a Linha Saúde 24: a jornalista procurou a reacção do seu coordenador, Enf. Sérgio Gomes, que acumula o cargo de Chief Nursing Officer (que desempenha um importante papel na Direcção Geral de Saúde)... mas o mesmo preferiu não comentar. 
 Importa dizer que o Enf. Sérgio Gomes já foi duas vezes candidato a Bastonário e é muito conhecido pela desesperante apatia e neutralidade na defesa da Enfermagem. Muito mais interessado em manter o seu cargo, o Enf. Sérgio Gomes procura sempre não melindrar ninguém, para que possa continuar a sua confortável viagem entre os pingos da chuva. Como sempre, perdem os Enfermeiros!
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4 - O blog Doutor Enfermeiro continua a ser referido nas resenhas de imprensa da Ordem dos Enfermeiros. Obviamente, dito isto, vai deixar de ser (ou não). Veremos, assim, como está o barómetro democrático.

terça-feira, dezembro 06, 2016

Quotas da Ordem: da popularidade à desigualdade!


Imagem (fonte): Ordem dos Enfermeiros
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À primeira vista, esta "novidade" da Ordem dos Enfermeiros pode parecer interessante... Vejamos: anunciam o desconto com o valor de uma quota mensal - 9 euros - se os Enfermeiros aderirem ao débito directo ou ao pagamento anual das quotas.
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"É o cumprimento de mais uma promessa" - afirmam. Numa altura em que a classe se divide com tantas diferenças que fomentam a desunião (diferentes vencimentos, cargas horárias semanais, vínculos, etc.), eis que a Ordem introduz mais uma discrepância: a quota passa a ser de um valor para uns... e de outro valor... para outros!!
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Isto contraria os estatutos que, de acordo com um princípio de igualdade, fixa um quota IGUAL para TODOS os Enfermeiros.
Esta medida levanta a dúvida sobre a necessidade de ser discutida e aprovada em Assembleia Geral (porque terá impacto orçamental).
Será, portanto, uma medida discricionária válida? A dúvida é legítima!
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Em última análise, o desconto final é de apenas 75 cêntimos mensais (de facto a promessa da Ordem era a redução das quotas, mas não precisou quanto...). E fácil de perceber que o pagamento anual poupa dinheiro nos CTT (mas não me parece compensar a redução dos 9 euros/ano) e que o débito directo não tem inerentes as taxas do pagamento SIBS/MB.
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Todavia, esta poupança não terá impacto um impacto real na vida dos Enfermeiros, mas favorece as divergências internas entre os membros da classe, que vêm mais uma diferença de quota, consoante o seu método de pagamento. Nem todos podem pagar as quotas anuais de uma só vez. Nem todos querem o desconto directo a sua instituição bancária.
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A partir de Janeiro de 2017, pela primeira vez na sua história, os Enfermeiros pagarão diferentes valores de quotização!!
Na minha opinião honesta, preferia "doar" esses 75 cêntimos para uma Enfermagem melhor. Os problemas essenciais continuam todos iguais. É uma medida popular, mas que na sua essência não altera nada.

terça-feira, novembro 08, 2016

Ordem dos Enfermeiros não se manifesta??!

Em pouco tempo, os Técnicos de Emergência viram a sua carreira aprovada, as farmácias viram o seu espectro de actividade aumentado, o acto médico foi redigido (limitando os Enfermeiros), a Ordem dos Médicos propôs um novo perfil (condição: licenciatura em Medicina) para os gestores do SNS, o Bastonário dos Médicos enxovalhou e minorizou a actividade dos Enfermeiros da linha Saúde 24, o candidato a Bastonário dos Médicos, Álvaro Beleza, afirmou que os Médicos devem ser os líderes do sistema, militares da GNR humilharam os Enfermeiros... e, agora, foi publicada legislação sobre a prescrição e comparticipação do material para as ostomias.

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Sintetizando: os Enfermeiros formaram-se e especializaram-se em ostomias, fazem TODO o trabalho de forma independente nesta área (pedagógico, curativo, profilático, etc.)... e a prescrição é dos Médicos??!?!?

74.

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Há exactamente 74 dias, a Ordem dos Enfermeiros exigiu a demissão do Conselho de Administração (CA) do Hospital de Guimarães (porque o CA admitiu que as greves dos Enfermeiros têm impacto na mortalidade dos internados) e prometeu levar o caso a Conselho Jurisdicional. 
O CA continua no seu exercício normal, numa calma lunar.

A CHUCadeira medieval.

Fonte (imagem): DC
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O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra é um paradoxo. Auto-intitula-se como o(um dos) melhor(es) do país, todavia, em boa verdade, em vários aspectos ainda se conserva na idade média.
Enquanto algumas classes (que fazem questão de solicitar o tratamento por "Professor", "Professor-Doutores", "Sua Majestade" e outras vaidades anedóticas, etc.) auferem salários principescos (fruto de prémios, incentivos, pseudo-trabalho extraordinário, prevenções 24/7, etc.), o CHUC ainda tem serviços que dividem auxiliares durante a noite!!
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Ainda tem serviços onde o stock é contabilizado manualmente pelos Enfermeiros prestadores de cuidados (os Chefes preferem estar no solário). Ainda tem serviços onde os EPI's são doseados como quem doseia ração.
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É um hospital tão pobre que as batas/fardas dos Médicos nem têm bolsos para um miséro estetoscópio.
É um hospital onde uns têm privilégios de estacionamento. Os outros têm de ir deixar o carro ao mato ou no lamaçal.
É um hospital onde os quartos dos Médicos são maiores do que as salas de trabalho dos Enfermeiros.
É um hospital onde os utentes internados é que se deslocam entre edifícios para ser observados pelo Médico, como consequência de uma filosofia médico-centrista elevada ao expoente máximo.
É um hospital onde as gavetas dos Enfermeiros Supervisores não têm fundo. Muitos dos documentos (pedidos de transferências, etc.) que lá entram... não saem mais. Acabam por fossilizar.
É um hospital onde os Enfermeiros especialistas co-adjuvam o chefe (que na realidade não precisa de ajuda) e não exercem a sua área específica. Oferecem-na objectivamente às varias classes de técnicos que florescem.
É um hospital onde os Enfermeiros não tem autonomia (os Médicos até prescrevem o sabonete). Para a prescrição de um paracetamol... ou está exigida em SOS ou é necessário uma panóplia de telefonemas. Nem as dietas podem prescrever.
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É um hospital com um intrincado e pré-histórico esquema de hierarquias, castas e vassalagens. Por lá, os Enfermeiros-Chefes pouco ou nenhum poder detêm. A única forma de se sentirem um bocadinho chefes de "alguma coisa" é exercer as résteas desse pouco poder para com os Enfermeiros, limitando ou proibindo trocas e outros malabarismos. Nos momentos em que o podiam mostrar (o tal poder) em prol da classe (perante os referidos "Professores"), fraquejam das pernas, ficam gagos ou com distúrbios intestinais. O resto do tempo é consumido em reuniões estéreis.
Há excepções à regra - bons chefes, líderes, mas estão embutidos num sistema pernicioso de rodas dentadas bem lubrificadas e tendenciosas.

Ordem abandona FNOPE!

Fonte (imagem): Ordem dos Enfermeiros
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Uma vez mais, fiquei atónito e receoso com o futuro. A Ordem dos Enfermeiros - que tanto se diz orientada para a união e usa, inclusivamente, o slogan "Ninguém está sozinho" - tomou a decisão unilateral de abandonar o Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE).
O FNOPE é a agregação de quase todas as Associações Profissionais de Enfermagem, Sindicatos e Ordem, numa confluência que fomenta a corporação e pretende concertar posições, define estratégias conjuntas, alarga a representatividade da classe, promove o fortalecimento de todas as relações institucionais e a difusão da informação relacionada com a profissão.
Esta decisão parece oposta ao conceito de junção e pode incitar a fragmentação da classe. Já foram solicitadas as actas do Conselho Directivo da Ordem, no sentido de tentar perceber os motivos que despoletaram esta deliberação.
Se a Ordem não concorda com o funcionamento do FNOPE, parece-me que a opção mais sensata seria a convocação de um reunião geral, diagnosticar os problemas do mesmo e voltar a gerar novas regras de funcionamento. Julgo ser pertinente um esclarecimento detalhado por parte da Ordem dos Enfermeiros.
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[No dia 24/10/2016, às 10:46, ××××××××××÷ <××××××××××@gmail.com> escreveu: Em nome da Associação de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica, Venho por este meio solicitar esclarecimento sobre a posição que levaram a OE a abandonar o FNOPE de acordo com a ata minuta lavrada na 66ª Reunião do FNOPE a qual agradecemos o envio urgente no sentido de compreendermos as circunstâncias da carta que surpreendentemente recebemos da Bastonária da OE. Com esperança que este seja um passo de re-união institucional e não um momento de desagregação entre os enfermeiros e os seus representantes nos seus diversos papeis, deveres e direitos - pessoais e profissionais, aguardamos a resposta urgente. 
Sem mais assunto.]

De vitória em vitória, até derrota final!

video

Estou estupefacto! Na RTP, passou uma reportagem sobre infecções hospitalares (programa Sexta às 9). Regozijo-me por ter constatado que deram voz aos Enfermeiros nesta matéria!
Até o Bastonário dos Médicos esteve bem (imagine-se!)... ... mas fiquei boquiaberto quando ouvi a Bastonária dos Enfermeiros afirmar que "não há Enfermeiros em número suficiente para desinfectar camas de um doente para o outro"!!!!!!
Novas competências ou downsizing da profissão?!

segunda-feira, outubro 17, 2016

O Bastonário dos Médicos adora os Enfermeiros!


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Resumindo o artigo em palavras cruas: o Bastonário da Ordem dos Médicos sugere terminar com a linha Saúde 24!
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Não entendam isto mal. A linha tem estatística favorável, tem outcomes, insere-se cada vez melhor na organização de saúde, mas... do outro lado da linha estão Enfermeiros. Percebam o Bastonário: se os agentes da linha S24 fossem Médicos, a linha seria uma iniciativa merecedora do Prémio Nobel, de pagamentos avultados e de utilidade irrefutável, mas, visto que são Enfermeiros, a linha serve apenas para orientar umas quantas "ranhocas, febrículas e outras dúvidas".
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Tendo em linha de conta que as linhas de aconselhamento telefónico, nos sistemas de saúde desenvolvidos, são dotadas de Enfermeiros e oferecem serviços cada vez mais proponderantes e fundamentados em inúmeros estudos da saúde e custo-benefício, facilmente se compreende as intenção do do Bastonário José Manuel Silva: prurido corporativista.
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Ainda há poucos dias, o Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos andava de braço dado (e em acordos) com a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros!!
Portanto, dessas "parcerias" temos os resultados à vista! Não sei se a Ordem dos Enfermeiros vai emitir uma forte posição perante isto, mas, no fundo, estamos perante mais um atentado ao bom nome, credibilidade e dignidade profissional dos Enfermeiros!!
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Nesta Ordem dos afectos, parece-me que, mesmo assim, existe uma certa probabilidade em cobrir o homem de beijos e abraços.

quinta-feira, outubro 06, 2016

Yellow donkey!

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Na foto, uma reunião oficial da Ordem dos Enfermeiros com o Presidente da Câmara Municipal do Porto. Muito provavelmente não sabem que é o senhor de amarelo. Ora, esse senhor é um colega nosso, que neste momento exerce funções como Presidente do Conselho Directivo da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros. É O Enf. João Paulo Carvalho.
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Há coisas que não podemos deixar passar e esta e uma delas. Os Enfermeiros queixam-se, com frequência, da falta de respeito e dignidade. Há uma miríade de formas para as cultivar. Uma delas é o vestuário.
O código do vestuário é uma das convenções mais importantes da nossa sociedade. Simboliza a respeitabilidade, implica valores sociais e culturais, bem como a transmissão de um sentimento de probidade.
Cada um, na sua vida pessoal, veste como bem deseja e de acordo com os seus princípios e filosofias de vida. Nada a opor. Todavia, quando o Enf. João Paulo Carvalho frequenta eventos ou iniciativas onde representa os Enfermeiros, a sua indumentária já não versa de acordo com a sua postura pessoal, mas sim de acordo com a dignidade e honorabilidade da classe dos Enfermeiros. Por essa razão, em ocasiões oficiais políticas, desportivas, etc. não vemos ninguém de t-shirt... Do mesmo modo, nunca ninguém viu outra Ordem profissional com o mesmo tipo de código de apresentação.
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Se queremos ter voz e presença e queremos ser respeitados, temos de cumprir as formalidades sociais. Eu quero ser representado de acordo com as convicções e pretensões da minha classe: com honradez e elevação.
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Neste mundo de informalidades, o Doutor Enfermeiro teve acesso exclusivo à indumentária do Ministro da Saúde, a usar na próxima reunião com os Enfermeiros...




Respeito!

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Com frequência ouço alguns Enfermeiros queixarem-se de falta de respeito. Porém, em boa verdade, muitos Enfermeiros não se dão ao respeito. Não o exigem. Não o fomentam.
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A política do "tu cá, tu lá", da igualdade funcional e da postura permissiva que incentiva o comportamento sem fronteiras ou limites, transforma tudo numa amálgama quase imperceptível e torna o respeito num conceito cada vez mais longe.
A exigência do respeito tem custos, mas a sua ausência tem muito mais! Não se demanda que alguém imponha o respeito por nós!!
Temos que ser nós próprios, no dia-a-dia, a fazê-lo. Muitos apresentam uma conduta que prejudica o respeito (e o exercício do mesmo), porém são esses mesmos que exigem que alguém conquiste o respeito (e a voz) por eles!

segunda-feira, setembro 19, 2016

Todos somos iguais, mas uns menos do que outros!

No passado dia 13 de Setembro foi publicado,  em Diário da República, um escândalo!

A publicação determina que os membros da Comissão Executiva da Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde recebem benefícios monetários: senhas de presença, compensações de deslocação, ajudas de custo, compensação própria pela emissão de cada parecer(!!), etc.

Isto não tem paridade em mais nenhuma comissão!!!
Há dinheiro para uns e não há para outros!?

(Faz lembrar a Enfermagem...)


terça-feira, setembro 13, 2016

A derrota da Enfermagem!

No próximo dia 15, quer a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros queira ou não, será apresentada a regulamentação do acto médico, na comemoração da aniversário do SNS.

Após um conselho de ministros dedicado à efeméride, será anunciado, com pompa e circunstância, o documento que os Médicos sempre desejaram! Conseguiram.

No documento, atabalhoado, existem outras regulamentações de outras profissões que só lá constam por arrasto. Era muito desafiafor a regulamentação do exercício médico apenas,  portanto, juntaram-se lá outras profissões para que o parto documental vislumbrasse a luz sem alarido ou oposição!

Agora, o acto de Enfermagem passa a estar definido sem ser compreender o lugar do REPE (a Enfermagen era a única profissão da Saúde com a publicação de um instrumento legal que regulamenta o seu exercício)!

O documento nada a acrescenta à nossa profissão, mas acrescenta a outras: passa a estar escrito em papel que são os Nutricionistas que prescrevem dietas ou os Psicólogos que executam intervenções de âmbito psico-terapêutico, etc...
Um Enfermeiro pode prescrever dietas ou entra em litígio legal com os Nutricionistas?
Os Enfermeiros de Saúde Mental ficam com o conteúdo funcional esvaziado em detrimento dos Psicólogos?!
Como ficam as nossas Especialidades?

Por outro lado, as instituições ficam legalmente obrigadas a contratar mais profissionais dessas classes (e, obviamente, menos Enfermeiros...).

O pior problema de todo este imbróglio é a abertura de um precedente a favor dos Médicos (nunca tinham conseguido maga do género). Agora, continuarão a aperfeiçoa-lo.

Relembro que este processo bem conduzido pelos Médicos originam resultados devastadores: em alguns países o acto médico é tão castrador que uma simples massagem com heparinóide dentro do hospital carece de prescrição médica!


quarta-feira, setembro 07, 2016

SEP nivela por baixo!

O SEP continua a sua saga comunista com o objectivo de nivelar os salários por baixo e equipar os Enfermeiros aos Electricistas, Canalizadores, etc., porque afinal de contas "somos todos iguais".

Desta vez o SEP resolveu ir "repor legalidades" para a VMER de Faro e conseguiu um feito extraordinário: conseguiu reduzir o valor/hora de uma colega de 16 para 8 euros/hora.

De realçar que o SEP é manifestamente contra as compensações monetárias dos Enfermeiros.

Há uns anos, para "repor legalidades", conseguiram a proeza de reduzir os honorários de uma equipa (voluntária) Enfermeiros escalados para as transferências inter-hospitalares, de 9 euros/hora para zero euros. Forçou o Hospital a integrar essas no horário normal (contra a vontade dos Enfermeiros)!!

Em 2009, através do acordo com a hospitalização privada, conseguiu reduzir os salários do Enfermeiros da então Espírito Santo Saúde!

O SEP prejudica a Enfermagem.


terça-feira, setembro 06, 2016

Ordem inicia processo de regulamentação do "extra-hospitalar".

Vi uma notícia da Ordem dos Enfermeiros, ilustrada com uma VMER, com a afirmação de que vão proceder à regulamentação da área.

Fiquei verdadeiramente satisfeito, pois é um domínio muito importante, onde muito Enfermeiros exercem e não existe um documento orientador.

Depois, li a notícia e... fiquei preocupado. As minhas preocupações são legítimas.
Segundo consta (numa notícia publicada a 26/08/2016), a Ordem nomeou um grupo de trabalho naquela semana, com o objectivo de ter um draft até 31 de Agosto, para "consulta pública".

Assim:

1 - Numa área de tamanha importância não consigo conceber como é que um regulamento desta índole seja projectado apenas numa semana! Porém, aguardo o resultado;

2 - Não percebi a menção à "consulta pública". Consulta de quem? Dos Enfermeiros? Do cidadão? De todas as outras classes profissionais?
Um regulamento desta categoria deve, sim, ser submetido à aprovação da Assembleia Geral e posteriormente, se aprovado, ser enviado para homologação do Ministério da Saúde;

3 -  A área que se pretende regular é a do Pré-Hospitalar e não do "Extra-Hospitalar"!!
É um erro ou alguém se lembrou de alargar o âmbito da coisa?!
Se assim for, segue-se um trabalho hercúleo e gigantesco, pois há que definir, conceptualizar, regular e legalizar uma nova área de cuidados!
Como é óbvio, o que significado de "Extra-Hospitalar" tem de ser o mesmo para todo o sistema de saúde e para os 10 milhões de habitantes.
Cada classe não pode "criar" levianamente novos conceitos. Segue-se um longo e penoso trabalho legal, junto da Assembleia da República, etc, etc, etc. Tudo numa semana;

4 - A definição de competências acrescidas só pode ser atribuídas Enfermeiros Especialistas de acordo com o aprovado em Assembleia Geral. Muitos dos Enfermeiros do INEM não são especialistas, ao passo que outros nem dois anos de exercício profissional têm;

5 -  Será preciso enorme atenção para não colidir com o regulamento de competência atribuído à especialidade de Pessoa em Situação Crítica, sob a pena de se tonar numa amálgama pouco clara e objectiva;

6 - O grupo de trabalho nomeado é muito pouco plural: recorre apenas a membros internos da própria Ordem e não é enriquecida com a experiência especialistas  e know-how de especialistas externos!
Além disso, não abarca um representante de toda a extensão da área. Não existem membros em exercício em SIV's.
Fico receoso com a tendência do documento, pois entre os membros existem elementos que são proprietário de empresas de formação no Pré-Hospitalar, com antecedentes de formação a TAE do INEM, o que pode, eventualmente, levantar problemas de sobreposição e conflitos de interesses;

7 - Espero que não seja copy/paste do mesmo documento da congénere Ordem dos Médicos!


segunda-feira, setembro 05, 2016

Prioridades...

Enquanto a Ordem dos Médicos discute um novo perfil de Gestores do SNS (cujo requisito é serem Médicos) e a Ordem dos Farmacêuticos discute com a tutela os pormenores acerca do alargamento de funções das farmácias, a Ordem dos Enfermeiros organiza um bom torneio de futebol...


domingo, setembro 04, 2016

Roubos à Enfermagem!

"Veja-se o caso dos funcionários públicos: "No final deste ano, repondo os cortes, ficarão com um vencimento igual ao que tinham em 2009""
(António Costa, 3 de Setembro de 2016)

Serão repostos os cortes das horas suplementares - que afectam uma enorme fracção da classe - dos Enfermeiros?

Os Enfermeiros foram muito penalizados. Sofreram a subtracção das sobretaxas. Depois, o corte dos suplementos para metade e a transição não remunerada para as 40 horas (que implicou uma redução do valor/hora e, por conseguinte, dos suplementos (que, por sua vez, já tinham sofrido o tal corte de 50%).
Não esquecer que o próprio salário-base é dos mais baixos da Administração Pública!

Tetramente prejudicados!


Falácias.

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O rácio Enfermeiro/Médico é um indicador muito pobre para traduzir seja o que for. Regra geral, este "indicador" não é uma causa, é o um efeito.
A Etiópia tem um fabuloso rácio Enfermeiro/Médico, por exemplo.
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O número de Enfermeiros até pode ser satisfatório, mas basta que o número de Médicos seja muito elevado ou reduzido para que o indicador fique distorcido.
O rácio Enfermeiro/Médico tem uma relação forte com uma variável: o salário. Quanto mais Enfermeiros por Médico, mais baixo é o salário dos Enfermeiros (em função do país em questão).
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Segundo relatórios da OCDE, o rácio Enfermeiro/Médico está a diminuir e continuará diminuir no futuro (por razões bem definidas e apresentadas pelos mesmos relatórios - a major prende-se, na base, com a maior qualificação académica dos Enfermeiros: "on average, the nurse/doctor ratio declined slightly from 3.1 to 2.9 across OECD countries, suggesting that "skill mix" defined in this crude way has been increasing.
A possible explanation is that advances in medical technology and rising activity rates continued to drive the demand for doctors and part of the demand for nurses upwards, whereas at the same time they reduced another part of the demand for nurses, because less invasive surgery and better drugs and anaesthetics raised day surgery rates, reduced hospital length of stay, reduced hospital beds, and enabled growing numbers of patients with chronic illnesses to be cared for in primary care settings.
").
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Ninguém argumenta com o rácio Psiquiatra/Psicólogo, Fisiatra/Fisioterapeuta ou mesmo Arquitecto/Engenheiro, porque estas profissões ocupam patamares formativos semelhantes e uma diferenciação técnico-científica similar.
Porém, é possível constatar que certa empresa tem y Pedreiros por Engenheiro Civil ou que um Jardim de Infância tem z Auxiliares por cada Educadora...

sexta-feira, setembro 02, 2016

Salários dos Enfermeiros.

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Se se debruçarem bem sobre os indicadores salariais dos Enfermeiros (em comparação com o salário médio do respectivo país), é possível extrair duas conclusões:
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1 - Quanto maior é o rácio de Enfermeiros por mil habitantes, menor é o salário dos Enfermeiros!
2 - Quanto maior é a proporção Enfermeiros/Médicos, menor é o salário dos Enfermeiros!
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Ex. 1 - No Reino Unido, o salário dos Enfermeiros é muito baixo. Um Enfermeiro que exerça Inglaterra aufere 80 a 90% do salário médio; ou seja, comparativamente, em Portugal, ganharia cerca de 700 euros!
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Ex. 2 - Na Noruega, um Enfermeiro ganha o mesmo que um cabeleireiro por conta de outrem (e pouco mais do que um cantoneiro).

Para a Ordem é melhor não se passar nada.

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A Ordem das Enfermeiros anda completamente baralhada. Sobre o seu mandato social, nada - quase não existem documentos novos, não sabemos que posição tem sobre o MDP ou como está a estrutura de idoneidades, que desenvolvimentos há sobre as especialidades, etc, nada! Está tudo parado, na dubiedade.
Nos assuntos em que se "mete", falha redondamente. Estou a referir-me especificamente à greve dos Enfermeiros no Hospital de Guimarães.
Ao que consta, um Administrador da referida instituição reconheceu que em dias de greve de Enfermagem a "mortalidade aumenta em cerca de 15%".
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Pela primeira vez (!!) alguém reconhece oficialmente que uma greve dos Enfermeiros (mesmo em serviços de internamento) tem um sério e nefasto impacto. Isto é manifesto sinal da preponderância da Enfermagem!
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Todavia, incompreensivelmente, a Ordem dos Enfermeiros protestou veemente! Alguém (da Ordem) se deslocou ao hospital, não foi recebido pelo Conselho de Administração (obviamente), não resolveu coisa alguma e, aparentemente, vai levar os Enfermeiros (que, supostamente, não desmentiram o tal Administrador) a Conselho Jurisdicional (a Ordem só tem jurisdição sobre os Enfermeiros). Isto não passa de mero show-off, pois todos sabemos que não há aqui qualquer matéria para processo.
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Aparentemente, a Ordem queria que o Administrador dissesse que em dias de greve de Enfermagem… tudo é igual e não se passa nada, não existem consequências e a acções levadas a cabo pelos Enfermeiros são irrelevantes e inócuas.
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Vivemos dias de anedota

segunda-feira, agosto 29, 2016

Procrastinação?

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Há vários tipos de chefias de Enfermagem incompetentes, mas há dois em particular que são por demais evidentes: os que limitam as trocas e os que emanam, sem justificação plausível, os horários no último dia do mês!

Esta última estirpe existe, por exemplo, no Hospital de Santo António, no Porto. Pode, porventura, ser uma inovadora estratégia gestionária que desconheço... porém, as normas de execução de horários são objectivas: deve ser sempre facilitada a vida pessoal dos Enfermeiros.
Enquanto que noutros países se esboçam horários trimestrais ou semestrais, no Santo António, os Enfermeiros nunca sabem quando podem planear uma ida ao Dentista, organizar a vida familiar ou  uma consulta de vigilância das hemorróidas! Alguns Chefes preferem manter o factor surpresa...

Há já quem afirme que o horário de Setembro vai ser lançado em Outubro!

terça-feira, agosto 23, 2016

No Ministério da Saúde, riem.

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A banalização das greves que o SEP tanto fomenta, tem resultados à vista: ninguém fala dos Enfermeiros, a greve não tem repercussões e adesão ronda números absolutamente vergonhosos!
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Entretanto, as greves continuam porque o Jerónimo ainda não mandou parar!

Toda a gente rouba os Enfermeiros!

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Há algum tempo, a ACSS esclareceu a questão dos descansos compensatórios através de um ofício. Assim, desta forma as instituições do SNS viram esclarecidas as dificuldades de interpretação do famigerado DL 62/79, que também se aplica aos Enfermeiros.
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O problema: o ofício apenas direcciona esta matéria para os Médicos, deixando os Enfermeiros de lado, apesar de ambas as classes partilham o mesmo quadro legal!
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Pergunto: e os Enfermeiros?! O DL 62/79 é igual para Médicos e Enfermeiros!

quinta-feira, junho 30, 2016

2,1 milhões de euros por ano: "olha para o que eu digo, não olhes para eu faço"!

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Notas importantes:
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1 - Duarte Nuno Dória é Administrador da Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira, E.P.E.;
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2 - Nunca vi o Bastonário dos Médicos se indignar - na sua coluna, no Correio da Manhã - com estas situações. Pelo contrário, defende o incentivo aos Médicos, porque "podem emigrar ou serem aliciados pelo privado", mesmo em época "de tanga".

segunda-feira, junho 27, 2016

35º à sombra!

Há coisas que têm que ser ditas porque simplesmente não podem acontecer à sombra do desconhecimento dos Enfermeiros. Para cumprir a promessa das 35 horas, o Governo publicou a Lei que entra em vigor no próximo dia 1 de Julho de 2016.
Todavia, como sabem, as maiores dificuldades na sua operacionalização surgem no Ministério da Saúde (MS), envolvendo, precisamente, a classe de Enfermagem. A "acordo" foi contratar mais Enfermeiros e compensar os penalizados com dias de férias e outras atribuições de tempo.
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Regra geral, os Enfermeiros são os únicos profissionais da Administração Pública cuja remuneração é liquidada, em parte, com tempo. O que não se sabe é que o próprio MS deu indicações específicas aos Conselhos de Administração para não "levantar ondas" durante Julho e Agosto, não enfrentar os Enfermeiros, pagar, se necessário, algumas horas extraordinárias (com percentagens indignas) e acumular horas em bolsaA tal bolsa que o Sindicato afirma ser ilegal!!!
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O pretendido é reduzir as contratações ao mínimo e tentar enfrentar a Lei das 35 horas com a "prata da casa", empatar os Enfermeiros e reduzir ao mínimo as contratações...
Os sindicatos não tomam uma posição de força?! 
Faz-se vigorar uma Lei sem prevenir as suas consequências reais? O quadro legal entra em vigor daqui a 5 dias e ninguém sabe nada sobre contratações. 
Quem fica a penar com cargas horárias de 40, 50, 60 ou mais horas, depois, é compensado com 2 ou 3 dias de férias e uma palmadinha nas costas...

sábado, junho 25, 2016

Lei do acto médico: quem tramou os Enfermeiros?!

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Está na forja o que os Médicos sempre pretenderam (como estratégia de proteger a sua corporação de outras profissões da saúde) - a Lei do acto médico. O Ministro Adalberto quis ser simpático e mostrar que é aberto à "mudança" e anuiu àquilo que ainda ninguém tinha procedido.
Até concordo com a necessidade de proteger os actos dos profissionais da saúde, mas discordo com a forma como foi operacionalizada (sob a égide da anti-multidisciplinariedade e batuta da soberania médica)!
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Esta matéria foi discutida com as Ordens profissionais. A Ordem dos Enfermeiros discutiu o documento, de forma conjunta, no último dia (23 de Junho) do prazo concedido pelo Ministério. Tudo será discutido no próximo dia 27 de Junho, em sede ministerial! 
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Não é estranho que tudo tenho sido tão rápido, tão silencioso e desenrolado em época de férias, quando todos estamos mais ausentes e distraídos? É a altura ideal... 
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Desde logo, encontro o primeiro óbice na própria nomenclatura: este quadro legal não deve ser designado de "acto médico" uma vez que define os actos de várias classes profissionais: Médicos, Enfermeiros, Dentistas, Farmacêuticos, Biólogos, Psicólogos e Nutricionistas. Atendendo a este facto, seria muito mais arrazoado atribuir-lhe outra nomenclação - acto da saúde, por exemplo (sugestão minha).
Escusado será dizer que, quem não cumprir a lei será penalizado através de contra-ordenações previstas, incorrendo em crime.
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A redacção deste projecto de Lei é muito "interessante" e recorre a um esquema ardiloso: define o acto médico e o das profissões envolventes, colocando a tónica na limitação funcional de todos os outros, deixando os profissionais da Medicina de "portas abertas", remetendo, inclusivamente, a sua actividade para legislações próprias, encerrando as portas de todas as outras profissões
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Analisemos: notem, antes de mais, que a redacção (muito redutora e simplista) dos articulados tem uma base comum, mas que ganha contornos diferentes nos Médicos e nos Enfermeiros (a classe que tantas preocupações tem feito medrar). 
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No que concerne ao acto de Enfermagem (que assim faz mirrar o REPE), o texto versa assim: "o acto enfermeiro consiste na avaliação, diagnóstico, prescrição e execução de medidas terapêuticas (...) de acordo com a legis artis da profissão".
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Numa das propostas de alteração, caem os termos "diagnóstico", "prescrição" e "terapêutica", sobrando a "avaliação" (termo genérico) e a "execução". 
Atentem que o termo "execução" tem um significado diferente de "intervenção" (que é o termo que aparece na redacção do acto dos Psicólogos e Nutricionistas!). "Executar" tem um carácter diferente - neste contexto, significa a realização de uma determinação/decisão iniciada por outrem, ao passo que "intervenção" reveste-se de uma natureza relativamente mais autónoma. 
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Apenas vislumbro o recurso a este termo na redacção da parte médica, mas antecedido de um outro termo que faz toda a diferença: "prescrição"! Basta lerem o que lá consta: "prescrição e execução". Isto também não é inocente nem um mero acaso - possibilita que os Médicos possam executar tudo o que prescrevem, o que se consubstancia como sobreponível ao domínio interdependente da esfera da Enfermagem!!
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A possível renúncia do termo "prescrição" (ainda signifique "apenas" prescrição de Enfermagem) veda qualquer possibilidade do Enfermeiro incorporar, no futuro, o acto prescritivo (ex. ajudas técnicas, fármacos, princípios activos tópicos para "pensos") -  duro golpe nos Enfermeiros Especialistas em Reabilitação e Saúde Materna e Obstétrica (duplamente: cai a prescrição e requisição de exames complementares tal está plasmada na Directiva europeia!).
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Outra questão: a presença da expressão latina legis artis. Verifiquem que a Enfermagem é a única profissão onde esta expressão está inscrita. Porquê? A tradução mais comum desta expressão é "o estado da arte". Todos compreendem a sua acepção. 
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Muitos suporiam que está implícito que todos os profissionais de todas as classes exercem de acordo com o estado da arte. Aliás, todas as profissões aqui constantes são auto-reguladas, o que obriga ao cumprimento do respectivo código deontológico (que impõe o exercício à luz do conhecimento actual). Então porque consta na formulação do acto de Enfermagem? Tenho uma interpretação muito particular sobre isto
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A expressão legis artis é frequentemente mal aplicada. A correcta tradução é "normas/regras da arte médica", ou seja, juridicamente, a expressão refere-se apenas ao domínio médico, tal como é possível perceber através do conhecimento da terminologia jurídica e consulta dos vários acórdãos sobre a matéria. Em suma: a expressão é empregue apenas numa alusão objectiva à pessoa/entidade médica.
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Na verdade, a expressão correcta é as leges artis. Pergunto, agora, novamente: então porque consta na formulação do acto de Enfermagem? Parece-me que o seu uso remete para a subordinação, permissão e tutela médica sobre a profissão de Enfermagem, que assim ficaria submetida às regras médicas. 
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Através de uma leitura atenta do documento, percebe-se que tentam encarcerar a Enfermagem através a atribuição inequívoca de algumas funções dos Enfermeiros a outras classes
Por exemplo, a prevenção oral passa a ser uma função exclusiva dos Dentistas (cuidado, Enfermeiros dos cuidados de saúde primários!). 
Outro exemplo: a "intervenção psicológica ou psicoterapêutica" é uma actividade exclusiva do domínio dos Psicólogos (os Enfermeiros Especialistas em Saúde Mental vão ter sérios entraves no seu exercício, pois podem ser acusados de usurpação de funções ao implementar intervenções desta índole!). 
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Novo exemplo: os Farmacêuticos passam a estar legalmente habilitados (e os Enfermeiros não!) para "administrar e monitorizar medicamentos" em qualquer contexto. Isto é gravíssimo! A administração de terapêutica é uma das competências mais conhecidas dos Enfermeiros. Doravante, um Enfermeiro pode incorrer em crime de usurpação de funções se o fizer. Igualmente grave - deixa de ser necessário a contratação de Enfermeiros sempre que a administração de fármacos estiver em causa! Um Lar, por exemplo, pode contratar um Farmacêutico para o efeito!
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Mais um exemplo: a "prescrição e intervenção alimentar e nutricionalé do foro exclusivo dos Nutricionistas. Aos Enfermeiros fica vedado a tomada de qualquer decisão neste âmbito (ex. prescrição de dietas, conselhos e ensinos nutricionais)!!!

Para finalizar, a cereja no topo do bolo: o artigo 16º define a "participação de profissionais de saúde no acto médico". A grosso modo, a tradução é simples - a saúde é sinónimo de medicina e todos ficam subalternizados à classe médica, principalmente os Enfermeiros que ficam dependentes da suas regras (a tal legis artis)!!! Basta ler.
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Não é difícil de concluir que estamos perante um grave atentado à autonomia e evolução da profissão de Enfermagem e assistimos, deste modo, a um sério retrocesso temporal.

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Novo grupo para reflexão de Enfermagem (a promessa é: o que quer que ali se escreva, chegará a "quem de direito")! 

Para que a opinião de cada um tenha uma consequência positiva! Contribuição efectiva!