quarta-feira, março 25, 2015

Concurso para o CODU do INEM!

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Caros colegas, 
como sabem não é meu hábito publicitar concursos. Porém, tenho aberto uma excepção no caso do INEM, mais concretamente para lugares de Técnico de Emergência, a ocupar por licenciados em Enfermagem disponíveis para o efeito (é preferível a trabalhar fora da área ou estar desempregado).
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Desta feita, está aberto mais um concurso de 70 vagas para Técnicos da Central de Emergência (conhecido como CODU - Centro de Orientação de Doentes Urgentes) - denominados por TOTE (TAE). Este técnico estabelece a ponte de comunicação entre as chamadas para o 112, com as tripulações de rua, Médicos Reguladores, Enfermeiros e instituições (Saúde 24, por exemplo) e procede à activação de meios.
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Colegas disponíveis: é muito IMPORTANTE que se candidatem.
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Tudo sobre o procedimento concursal, aqui.
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Ps - ignorem a denominação "Assistente Técnico" que consta no aviso (lança alguma confusão); as vagas são para Técnico de Emergência do CODU.

domingo, março 22, 2015

Petição "Enfermeiros contra as 40 horas".

Encontra-se disponível uma petição online que visa exigir a cessação do regime de 40 horas semanais na Enfermagem.
Esta acção reveste-se de interesse acrescido se pensarmos que estamos em fase pré-eleitoral para novas legislativas. Portanto, obrigatório.

quarta-feira, março 18, 2015

CIPE.

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A maior evolução da Enfermagem em termos globais aconteceu fora no período pré-CIPE. O pós-CIPE tem sido penalizador.
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Somos a única profissão que se insere num sector de actividade com uma linguagem diferente de todas as outras profissões que o compõem.
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A CIPE não tem uma aplicação transversal a toda a prática da Enfermagem. A CIPE está mais próxima da linguagem leiga do que da linguagem científica.
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A Enfermagem tem registado um afastamento notável do processo do utente, ao encriptar a nossa actividade, tornando-a ininteligível perante as outras classes profissionais. A CIPE impede a autonomização da Enfermagem, favorecendo o fenómeno da solidão existencial.
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A CIPE não se assume como premissa para a investigação em Enfermagem.
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Não se deve confundir CIPE com Sistemas de Informação em Enfermagem ou em Saúde. A profissão só voltará a evoluir, quando todas as profissões do sector partilharem uma plataforma informática e a linguagem.
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A CIPE não inventou um único termo ou conceito.
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Os registos com base na CIPE assumem-se como complexos pela sua forma e estrutura e não pelo ganho de conteúdo.
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A Enfermagem sobrevive cada vez mais afastada do mundo. Sem os sistemas de apoio médico - que os Enfermeiros têm necessidade de consultarem para se orientarem na visão global do utente - a nossa profissão teria imensas dificuldades em comunicar entre si.
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Basta ler as últimas recomendações obre os Sistemas de Informação e perceber que não há lugar, no futuro, reservado para a CIPE. A sensatez torna mandatório que se abandone os esforços e investimentos com a CIPE.
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Já existe uma linguagem comum: denomina-se ciência.

segunda-feira, março 16, 2015

Case study na Enfermagem: greves.


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Greves de 1 dia: "(...) andamos a brincar às greves. Contem comigo para parar uma semana! Assim não faço! (...)";
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Greves de 1 dia (a coincidir com 2ª ou 6ª feira): "(...) mas o que é isto? Nem pensar! Vai tudo dizer que queremos um fim-de-semana prolongado! Não faço! (...)";
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Greves de 1 dia (3, 4 ou 5ª feira): "(...) Estou farto que brinquem connosco! Greves a meia da semana?! Isto é estúpido! (...)";
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Greves de mais de 1 dia: "(...) Se fosse um dia apenas eu fazia, mas assim não! Tenho contas a pagar! (...)".

quarta-feira, março 11, 2015

Carta aberta ao Ministro da Saúde.

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Senhor Ministro Paulo Macedo,
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eu sei que lê este blog. Pretendo ser sucinto porque também sei que não lê muitas linhas de texto seguidas (as coisas que eu sei!).
"Olhe" para os Enfermeiros. A situação é insustentável. As remunerações são escandalosamente baixas (para muitos já é impossível pagar a sua formação contínua sequer; ou o carro, casa e alimentação).
A desmotivação grassa como uma peste. Não há reconhecimento. Estamos todos no limite. E limite significa limite.
Escuso-me de continuar a escrever porque o Senhor Ministro bem sabe o que está acontecer.
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Atentamente.

sexta-feira, março 06, 2015

A não perder!!


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Para que se possa construir (ou desconstruir), criticar, propor, etc., é necessário participar. Dignificar a profissão!
Todas as informações, aqui.

Conselhos do Doutor Enfermeiro...

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Caros colegas,
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Para a semana o INEM abrirão mais 75 vagas para Técnicos de Emergência.
Aconselho vivamente todos os licenciados em Enfermagem disponíveis a candidatarem-se a mais este concurso (eu já tinha anunciado as últimas 85 vagas disponibilizadas, recordam-se?).
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Boa sorte!

segunda-feira, março 02, 2015

"Enfermagem Baseada na Evidência: Atitudes, Barreiras e Práticas"

Existem imensos estudos e investigações em plena concepção ou realização, mas confesso que os resultados e conclusões deste me deixam curioso.
O nosso contributo é importante para que traduza a realidade (e depois, juntos, possamos reflectir enquanto classe).
Responder ao questionário, aqui.

Modelo de Desenvolvimento Profissional®.

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Lentamente, apesar do contexto político e sócio-económico muito desfavorável, o Modelo de Desenvolvimento Profissional, tem palmilhado o percurso desejado. A partir desta data é uma marca registada e património de todos os Enfermeiros. 
Soa a pormenor (que passou despercebido a muitos), mas parece-me que se trata de um avanço muito substancial.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Oremos (SIADAP).

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A Senhora Enfermeira-Directora da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), a expedita Enf. Margarida Filipe, aparece com frequência, no Facebook, a questionar onde anda o Bastonário Germano Couto. 
Uma sintomatologia, quiçá, relacionada com mau funcionamento do seu GPS pessoal.
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Para a ajudar na orientação, desta vez até o Enf. José Azevedo, Presidente do Sindicato dos Enfermeiros, pede ajuda ao São Cricalho da Maia (que é especialista a acudir a asneiras grossas relacionadas com o SIADAP aplicado aos Enfermeiros) para a barbaridade cometida pela ULSM. 
Lá está, confirma-se um problema de GPS na orientação dos dispostos legais relativos à Avaliação de Desempenho dos Enfermeiros (ao querer aplicar o SIADAP indiscriminadamente e a direito). Oremos.

Estudos de Enfermagem com utilidade.

Ler um, aqui.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Relógio suíço "CNO".

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Há um novo método de medição de tempo, denominado "CNO". Esta sigla significa "Chief Nursing Officer". 
Em Portugal, como em muitos países, temos um CNO - o cargo (nomeação pelo Director-Geral da Saúde; com que critérios?) é ocupado pelo Enf. Sérgio Gomes (nem sequer questiono o mérito ou competência).
A sua função poder-se-ia descrever como um conselheiro do governo em matérias relacionadas com a Enfermagem, mas, por cá, tenho sérias reservas sobre a pertinência desta função. Raramento o vejo ou ouço uma menção relativa ao próprio, nunca lhe reconheci obra (por ser equívoco meu), nunca constatei uma referência do trabalho do CNO em prol da profissão, nada. Vislumbrei-o uma vez - em tempos remotos - numa pequena foto pixelizada, no site da DGS, onde levou o corpo a uma reunião. E, claro, vi-o nas últimas eleições (2011), como candidato a Bastonário da Ordem dos Enfermeiros.
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Porém, nem tudo é menos positivo - por outro lado, o colega é pontualíssimo! De 4 em 4 anos, em vésperas eleitorais, com uma precisão de relojoeiro, o CNO Sérgio Gomes vem ver a luz do dia. Podemos acertar os relógios por ele (eu não quero um Bastonário assim).
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Por estes dias, a Direcção Geral da Saúde veiculou um acção patrocinada pelo CNO (ou aliás, será... veiculada pelo CNO e patrocinada pela DGS?), com um slogan que ainda nao percebi, para ser honesto. 
Quem assim o desejar (como requisito mínimo terá de ser Enfermeiro), poderá preencher um inquérito para as bases de dados da campanha eleitoral do Enf. Sérgio Gomes, ao abrigo de um hipotética suposição sobre o "Enfermeiro do Futuro". Relativamente a esta matéria, há uma questão (que consta no referido questionário) que me deixou perplexo e pensativo: "em 2025, que Enfermeiro gostaria de ser"? São questões sem nexo, desarticuladas, sem objectivo, sem substrato, sem um fio condutor...
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Fico triste.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Ministério da Saúde de Malta desloca-se a Portugal para contratar Enfermeiros!!!

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Ministério da Saúde de Malta vem cá recrutar os Enfermeiros que o Ministério da Saúde de Portugal não quer! Paradoxal!
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Nos próximos dias 19 e 20 de Fevereiro, no Hotel Lutécia, em Lisboa, representantes do Ministério da Saúde maltês, recrutarão colegas interessados (para mais informações clicar, aqui).
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A proposta salarial é atractiva e o contexto laboral muito aliciante. Uma nota para a ilha de Malta que, para quem não conhece, devo dizer que é um cenário muitíssimo encantador.
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Uma particularidade que distinge esta contratação de todas as outras (é a primeira que publicito) é o facto do recrutamento ser levado a cabo pelo próprio Ministério da Saúde maltês - portanto: confiável idóneo.
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Não vêm cá por (mero) acaso...

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Bons conselhos...

Tal como tinha afirmado há uns dias atrás, abriram, hoje, 85 vagas para Técnico de Emergência do INEM.
Quem está disponível faça o favor de se candidatar...

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Concurso para INEM...

Caros colegas, 
não tenho por hábito anunciar concursos, mas desta vez a circunstância assim o requer.
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Tomem nota (a quem interessar): irá abrir muito brevemente muitas vagas (para a rua, CODU, etc) para Técnicos de Emergência do INEM! Candidatem-se!
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Temos licenciados em Enfermagem a laborar em áreas muito diferentes da Saúde e outros que exercem ao abrigo do respectivo título (de Enfermeiro), com condições e remunerações incompatíveis com a exigência e risco inerente à profissão.
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Como sabem, tento sempre oferecer os melhores conselhos (de amigo e colega) possíveis. Aceitem mais um: candidatem-se!
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Estejam particularmente atentos ao site do INEM...
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P.s. - Candidatem-se.

terça-feira, fevereiro 03, 2015

10 anos...

Este blog fez há  escassos dias dez (10) anos. Nessa altura, a blogosfera relativa à Enfermagem era rarríssima. Não havia Facebook. A informação não se difundia e sob os meandros da profissão pairava uma densa penumbra. A opinião era incomum.
Depois de mais de 10 anos, mais de 8 milhões de visitas, um conjunto de posts que equivale a um livro com mais de 1000 páginas, mais de 115 mil comentários, muitos inimigos e, sobretudo, enormes amigos depois, por cá continuo. A bem da profissão (e com muito mais sacrifício pessoal do que alguma vez poderão supor).


segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Bastonário Germano Couto e as coisas no sítio!


Deixem-me ser imparcial. Li um Press Release da Ordem dos Enfermeiros onde o Senhor Bastonário explica que declinou o convite da RTP para a participação no programas "Prós e Contras". 
Porquê? De acordo com a RTP, o debate pretende confrontar a opinião dos diversos interlocutores da Saúde (onde objectivamente aponta os "Enfermeiros"), todavia, convida para o painel principal apenas... médicos. Ora, isto é inconsistente com um debate plural. Se pensarmos que a Enfermagem representa a maior fracção profissional do sector, percebemos à partida que o "debate" está enviesado!
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O Bastonário Germano Couto recusou (um lugar na plateia) e bem! De uma vez por todas há que dar aos Enfermeiros a dignidade (um lugar no painel principal!!) e voz que merecem. Aliás, que o sistema e os respectivos utentes merecem! Se se pretende uma discussão séria e profícua, os Enfermeiros não podem ficar à margem, obviamente! 
Enquanto aos Enfermeiros não lhe for concedido o empowerment devido, os problemas não vislumbram solução, como aliás a realidade o tem demonstrado.

terça-feira, janeiro 27, 2015

Dar cenouras aos profissionais de saúde (no sector privado)...

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"Do lado dos profissionais de saúde, considera que o comportamento também é diferente quando estão nas unidades privadas, “pois são vistos como parceiros e o efeito da cenoura ainda é importante e estimulante" (Artur Osório, Presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada) link 

Algumas instituições privadas de Saúde perspectivam os profissionais de Saúde como burros que perseguem a cenoura (sem nunca a atingirem!). Para eles, todo o quadro teórico de gestão, motivação, progressão profissional, auto-realização, etc, é algo relegável para um plano secundário - a história do burro e da cenoura é mais fácil, simples e compensatória!

sexta-feira, janeiro 23, 2015

No Facebook, a discussão continua (com o Bastonário dos Médicos)...

(o tamanho da resposta do Bastonário da Ordem dos Médicos é tão grande, que não é publicável como imagem)
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Caro Dr. José Manuel Silva (doravante, Dr. JMS),

É com gosto, mas sem grande prazer, que lhe respondo a mais um conjunto de argumentos, dentro daquilo que V. Exa considerou um… “debate”. O meu objectivo, possivelmente, não é semelhante ao meu.
Está patente - permita-me a minha observação - uma mudança do seu estilo literário entre a sua primeira intervenção e esta última. Subitamente tornou-se num homem encolerizado. Um "debate" promove assim tanta cólera?
Felizmente, uma fatia muitíssimo substancial de Médicos não comunga dos seus princípios, Dr. JMS!
Desta vez organizo a minha resposta por “capítulos” (associando sempre uma citação sua), chamemos-lhe assim.
Como o senhor se baralhou todo nos seus argumentos, facilitou-me imenso a tarefa, como poderá constatar mais abaixo. O Dr. JMS contradiz-se com muita frequência, sabia!?
Uma nova nota próloga: O senhor prometeu-me desenhos e não os trouxe; mas eu trouxe.
Em resposta aos temas que abordou:

Capítulo “Burkas”.

(…) Num país democrático e sem constrangimentos religiosos, não dialogo com um “homem de burka”(…)

Se vive num país sem constrangimentos religiosos, porquê tanto prurido com uma religião (ao ponto de se recusar a dialogar com alguém). Eu não partilho da mesma posição. Respeito a pluralidade religiosa. Na verdade, desde que discreteie com argumentos alicerçados na ciência e na evidência, pouco me diz respeito a religião que professa. No conhecimento somos todos iguais, independentemente de raças, etnias ou religiões.

Uma burka é pedaço de tecido (usualmente negro) que cobre todo o corpo, deixando apenas os olhos destapados. Não me incomoda. É-me indiferente. Contudo, já revelo uma certa preocupação quando vejo alguém usar o corpo destapado e a burka à frente dos olhos.


Capítulo “Respeito pelos Enfermeiros”.

(…) Respeito profundamente os enfermeiros e a sua profissão (…)
Discordamos já aqui. Não, não respeita! No decorrer da sua exposição “apaixonada” (eufemisticamente falando) usou uma velha técnica: um pequeno elogio, uma grande ofensa; um pequeno elogio, uma grande ofensa; e assim sucessivamente intercalados.
Em parte, o Dr. JMS tem responsabilidades na crescente disfuncionalidade entre Enfermeiros e Médicos.
Poe exemplo, no Correio da Manhã (CM) do dia 15 de Agosto de 2013, a ladear a sua coluna regular, vislumbra-se uma peça jornalística, intitulada assim: “Triagem mal feita provoca mortes”!
A peça (que é pouco mais do que vazia de conteúdo) omite propositadamente um dos problemas fulcrais dos serviços de urgência - o tempo de espera até ao atendimento médico… mas, ao invés de dissecar e analisar de forma mais transparente a questão, recorre a um fait divers: culpabilizar a triagem. 

O Senhor Dr JMS lança mais um dos seus “epílogos” aos Enfermeiros: classifica-os de “profissionais de menor formação”. Pejorativamente, está subentendido.


Segundo afiançou, o caríssimo Dr. JMS, nos seus textos dirigidos a mim, minimizou a importância do conhecimento e experiência dos Enfermeiros da triagem, dando a entender e afirmando que não decidem, não triam, apenas “aplicam protocolos”.

Reiterou, constantemente, que a respectiva triagem não era mais do que meros e cegos protocolos. Porém, o supra-referido jornal, à mesma data, cita-o nesta temática: “o sistema de triagem deve ser aplicado por médicos, pois só os médicos têm formação necessária para se aperceberem dos sinais insidiosos que podem apontar para situações potencialmente mais graves”.

Para quem tanto desdenhou e depreciou os tais meros protocolos, é interessante este seu apetite pela Triagem de Manchester. Já que o Dr. JMS aprecia a virtude democrática da religião, cuidado com a gula. É pecado.

Mas é um apetite que pode suscitar um rasto de curiosidade a algum incauto…

Para que não fique dúvidas, o Dr. JMS lava o prato (e vê-se o desenho do fundo) e remata assim no CM (2013, recordo): “a curto prazo haverá excesso de profissionais médicos no nosso país, pelo que não se justifica que se diminua a qualidade do SNS, o que acontecerá sempre que se recorre a task-shifting (mudança de tarefas entre Médicos e Enfermeiros). E esta mudança acontece, adianta a OM na triagem dos doentes, quando se substitui os médicos por profissionais de menor formação”.


Pronto... assim já se percebe a preocupação do Dr JMS!

Mas, depois de todo este argumento, escreve o Dr. JMS no seu comentário dirigido a mim: “eu sei que há estudos que mostram que os médicos dão mais “erros” que os enfermeiros na aplicação da Triagem de Manchester."
Se sabe que os Enfermeiros cometem menos erros, para que defende os Médicos na triagem? Em honra à qualidade… não é! Certo?!

Isto poupa-me, desde logo, a apresentação de vários estudos muitíssimo objectivos sobre a hegemonia dos Enfermeiros nas triagens (não só de Manchester!) Eu até dispunha de um estudo vasto e sólido onde se conclui que os Enfermeiros têm taxas de sucesso acima dos 95% nas triagens! Difícil de fazer melhor, convenhamos! Fica o estudo na gaveta para uma próxima oportunidade!
Porém, ainda assim (não me dou por satisfeito), decorrente das ideias do Dr. JMS ao jornal CM, há questões que se levantariam:

1. Se o problema não está na triagem, está no atendimento pelo Médicos, que vantagem terá a triagem médica? Todos os cidadãos que comparecem nos SU’s carecem de atendimento; substituindo Enfermeiros por Médicos encurta os tempos de atendimento? Não. O problema continua.
2. Sendo a Triagem de Manchester uma função atribuída consensualmente aos Enfermeiros, tanto longitudinalmente através do tempo (historicamente), como transversalmente pelo espaço (nos países onde está implementada), afinal… a troca de funções é entre quem? Médicos e Enfermeiros? Ou Enfermeiros e Médicos?

Ao contrário do que quer fazer acreditar, a Triagem de Manchester não nasceu só pela mão de Médicos. A sua concepção aconteceu no Reino Unido, através do um grupo de trabalho colaborativo, constituída por Enfermeiros e Médicos; ou seja os Enfermeiros estiveram tanto na sua génese como no seu desenvolvimento e validação (Zimmermann, 2001; JEN/ENA).
Repare como as colaborações entre Enfermeiros e Médicos (sem preconceitos ou pruridos) resultam tão bem!

Capítulo “Força de bloqueio”.

Não haverá muito a dizer nesta matéria. Posso ilustrar a minha perspectiva sobre a matéria da seguinte forma: no domingo à noite, enquanto jantava, assistia à habitual rubrica do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. A determinada altura, o seu discurso captou a minha atenção: “(…) o Bastonário da Ordem dos Médicos opõe-se(…)”.
Eu escuto este “opõe-se” com uma frequência pouco aceitável e intolerável para quem quer ser construtivo. Quando a divisa é “opor, opor, opor”, só podemos pensar que se trata de uma “força de bloqueio”. Simples raciocínio.

Capítulo “Processos Judiciais, responsabilidade e supervisão médica”.

Se o seu argumento com a referência à responsabilidade judicial é tentar amedrontar os Enfermeiros que procuram evoluir através do incremento funcional, então dê o seu tempo como perdido. O exercício profissional dos Enfermeiros também tem essa dimensão implicada. Nada de novo. Funções mais complexas, mais responsabilidade?! Sim, e depois?
Quem se responsabiliza quando as coisas correm mal?” – interroga o Dr. JMS – os Enfermeiros, óbvio! Se não parou no tempo, deverá saber que a responsabilidade do exercício da profissão de Enfermagem cabe só e apenas ao Enfermeiro em questão e ao seu superior hierárquico. 
Em última instância, nas instituições hospitalares, caberá ao Enfermeiro-Director (é por isso que a lei obriga à existência de um em cada Conselho de Administração) e nunca ao Director Clínico. Há décadas que a lei assim o estabelece.

Já reparou no paradoxo? Os profissionais cujo povo mais crê serem subordinados dos Médicos, são precisamente aqueles que têm um representante no Conselho de Administração e não têm qualquer subordinação Médica! Todas as outras classes, exceptuando os Médicos, não têm qualquer representação em tal órgão de poder! Ironias!
No que toca ao quadro regulatório profissional, Portugal está bem desenvolvido, ao contrário de certos países, onde a “supervisão médica” ainda é um conceito prevalente, mas cuja tendência é cada vez mais decrescente. 
Comparando a predomínio conceptual implicado nos últimos 50 anos, facilmente se conclui este facto. Se os Médicos vivem presos ao passado, o problema é de cada um deles (em prejuízo do utente!).

Uma vez mais: uma fracção, cujo numerador é cada vez maior em termos absolutos, de médicos não pensa assim (retrogradamente). Beneficia o cidadão e a Saúde. Para esses seu colegas estou sempre disponível, porque sei que estão sempre disponíveis para mim.

Capítulo “Prescrição de Enfermeiros”.

Se quiser discutir este capítulo com o rigor e profundidade que o mesmo exige, estou perfeitamente de acordo.
Como referiu e muito bem, há países onde os Enfermeiros prescrevem. Em alguns com limitações, noutros com maior liberdade, em certos países sem limitações mas sob “supervisão médica” (o tal conceito que subsiste em alguns países) e, por fim, em determinados países sem restrições e sem supervisão, como prescritores independentes. Alguns exercem e prescrevem de forma autónoma no sector privado e/ou a título independente, inclusivamente.
Com mencionou também, com o devido respeito pela verdade (o que agradeço), na maior parte desses contextos os Enfermeiros fazem-no após um complemento formativo que lhes certifica a competência. Esse complemento em certos países é custeado pelos próprios Enfermeiros (todavia, convém dizer que a competência prescritiva, ao longo dos anos, foi responsável por um considerável aumento remuneratório).
Existem contextos em que os Enfermeiros sem complemento prescrevem, mas uma lista muito restrita de fármacos orais, rectais, inalatórios, colírios, intramusculares e endovenosos (mais apenas dois ou três fármacos por cada via).

Em Portugal, qualquer formação pós-graduada é custeada pelos próprios Enfermeiros (as especialidade também). Infelizmente. Eu sei que aos Médicos lhes é ofertada; mas os Enfermeiros não têm essa benesse.
Regra geral, após o tal complemento formativo, os Enfermeiros adquirem uma espécie de novo título que equivale a significar que detém formação acrescida, mas não deixam de ser enfermeiros. No título existe sempre a palavra “Enfermeiro”. É obrigatório.

Eu defendo prescrição por Enfermeiros, mas condicionalmente. Em 2008, escrevi isto: “Prescrição por diagnóstico de Enfermagem, feita por Enfermeiros Especialistas (e outros Enfermeiros com formação suplementar, experiência mínima e certificação da competência), após formação adequada e com um leque de fármacos indicados para a prática da Enfermagem)”.
Portanto, há coerência nesta matéria. Os planos de estudo de Enfermagem devem ser reajustados para os novos desafios. É óbvio que autonomia no exercício é importante para os Enfermeiros. Interromper a sua actividade para requer “validações médicas” prejudica o exercício da profissão.
Ir "buscar" uma "assinatura" para o que já foi administrado indica uma boa cooperação de equipa, mas também significa que os Enfermeiros são competentes. Nesta âmbito, o International Council of Nurses (ICN), é muito claro ao afirmar que, na globalidade, em todo o mundo "nurses favor expanding their health care responsibilities, including the authority to prescribe medicines to patients" (pode introduzir a citação no google e confirmar).
Já pensou no Enfermeiro Especialista em Reabilitação que diagnostica a necessidade de uma ajuda técnica e tem de recorrer ao médico para a prescrever? 
Já pensou nos Enfermeiros de Saúde Materna e Obstétrica, cuja directiva europeia permite seguir as gravidezes, prescrever alguns fármacos e exames
complementares de diagnósticos?

A directiva, mais cedo ou mais tarde, custe a quem custar (Portugal está obrigado a implementá-la), terá a aplicabilidade na nossa realidade. É apenas uma questão de tempo. Apenas.
Conhece a miríade de estudos que asseguram a qualidade dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica?
Vale a pena os Enfermeiros prescreverem? Vale. Nos melhores, mais dinâmicos, versáteis e equitativos sistemas de saúde do mundo, os Enfermeiros prescrevem.
Isto leva-nos a uma interrogação. Há perigo nessa prescrição?


Para percebermos isto melhor, eu pego nas suas palavras, Dr. JMS: “A maioria dos enfermeiros dos cuidados de saúde primários tem funções semelhantes às nossas, em Portugal”. 
Vamos partir daqui, para reduzir o número de variáveis envolvidas. Mesmo contexto, mesmas funções. 
Analisemos os outcomes (resultados em benefício dos utentes) publicados no British Medical Journal, a 15 de Abril de 2000: “On average, nurses have longer consultations, arrange more investigations and follow up, provide more information, and give more satisfaction than general practitioners. Primary care nurses are not cheaper than general practitioners, but they are as safe in managing self limiting illnesses”.

Portanto, cai por terra o preconceito de que a opção de se deve ao custo (não são mais baratos, mas se ler o estudo “they could be more cost effective than general practitioners”) seriam mais baratos, investigam mais e disponibilizam mais informação. É lógico que os utentes se sentem “mais satisfeitos”.
Continue a ler: “there was no significant difference in patterns of prescribing or health status outcomes”.
Aqui, o neutro (e nunca questionado na literatura) Netherlands Institute for Health Services Research não permite grandes dúvidas marginais (esta citação merece uma leitura atenta): “By doing a systematic literature review, the researchers studied 35 scientific publications on the prescribing practices of nurses. They looked for differences in the way nurses and doctors prescribe, in the type of medicines prescribed and in the amounts and the outcomes for patients. 
From the literature study it was clear that nurse prescribing is comparable to prescribing by doctors – nurses prescribe similar types of medicines for similar patients in similar dosages as doctors. The total amount of medicines prescribed by nurses and doctors differs slightly. According to patients, the quality of care was either equal or better in patients whose medicines had been prescribed by a nurse. The researchers found no differences in the clinical outcomes for patients.

Em suma: prescrevem igual, com melhor custo-efectividade e maior satisfação.

O principal argumento médico contra a prescrição é, e sempre foi, a formação (ou o seu “comprimento”). Os Médicos afirmam que a sua formação é mais longa e prepara-os melhores. Para campos exclusivamente médicos (actos cirúrgicos, por exemplo), concordo. Para os leques funcionais sobreponíveis, concentremo-nos nas evidências. 
Não basta dizer que a Equipa A é melhor que a equipa B, porque treina mais horas, faz mais musculação no ginásio, etc, se a equipa B chega ao campo e vence. A formação pré-graduada não é a única contribuição para a construção de uma carreira profissional (entram outros factores).
Presenteio-o com um exemplo paradigmático e exemplar. O caso “Enfermeiros Anestesiologistas contra os Médicos Anestesistas”, que decorreu durente a última década nos EUA e só vi a sua decisão final há dois ou três anos (eu segui o desenrolar dos acontecimentos com todo o interesse).
Sumariamente: o estado da Califórnia decretou que os Enfermeiros Anestesiologistas poderiam anestesiar doentes de forma autónoma e sem supervisão. Os Médicos Anestesistas opuseram-se veemente e recorreram a tribunal. Deixe-me dizer-lhe de antemão, que nesta história toda, a Associação de Hospitais da Califórnia apoiou os Enfermeiros (lá está a gula médica pelo monopólio a pagar caro).
Estudos para cima e para baixo, a coisa não se deliberava (o que de si já é bom sinal, pois os Médicos não conseguiam provar a sua superioridade na qualidade e segurança dos procedimentos anestésicos relativamente aos Enfermeiros). 
Os Médicos apresentaram mais um estudo final e o argumento-coroa mantinha-se: “somos melhores porque a nossa formação é melhor”.

O Juiz pedia para provarem as respectivas asseverações e... nada. Os Médicos mudaram de estratégia. Conduziram as suas alegações no sentido de dizer que em situações de risco eminente, a sua formação era uma mais valia para salvar o doente. O juiz sentenciou que os Enfermeiros podiam anestesiar e sem qualquer supervisão médica.
Os Médicos recorrem ao Supremo Tribunal e os Enfermeiros deram a cartada final. Solicitaram um estudo pormenorizado e em detalhe rigoroso acerca de toda a casuística ocorrida na base de dados da “Medicare” (como sabe, com dados próximos da grandeza dos milhões). Queriam perceber se existiam diferenças entre os procedimentos anestésicos de Enfermeiros e Médicos e, sobretudo, como é que o erro variava, especialmente em situações de perigo de vida eminente. A fiabilidade da “população em estudo” era avassaladora comparada com os estudos invocados pelos Médicos, pois os Enfermeiros suportavam-se nos dados da realidade estabelecidos num interessantíssimo espaço de tempo.
A conclusão foi inequívoca: os Enfermeiros anestesiam tão bem ou melhor quanto os médicos e resolvem todas as situações de risco tão bem ou melhor. Está claro – os Enfermeiros venceram no supremo, a última instância da esperança médica.
Actualmente, algumas associações médicas dedicam-se a publicitar outdoors (e outras campanhas "minor") contra os Enfermeiros; sem sucesso.

Na Califórnia, como em vários estados, os Enfermeiros anestesiam sem qualquer supervisão Médica. Curioso é que não existe, qualquer diferença de qualidade e segurança entre os estados onde não existe supervisão e onde existe. Ou seja, a supervisão médica, neste campo em especial, é irrelevante. Ainda assim, apesar de tudo, há Enfermeiros e Médicos que se unem para formar equipas de anestesia.

A sentença é pública. Consultável. Exemplar.


Capítulo "Exames Complementares de Diagnóstico com ponto de partida na triagem".

Já é procedimento com sucesso nas vias verdes. Fico sem perceber o seu ponto de vista.
Para clarificar melhor, recorro uma vez mais a dois conhecidos estudos que avaliam precisamente este item (exames complementares de diagnóstico solicitados no acto da triagem).
Como um estudo tem necessidade desse centrar em algo específico e mensurável, vamos avaliar, por exemplo, a requisição de Raios-X (uma vez que o ECG é ainda mais linear) na eficiência da gestão assistencial dos SU’s. O que equivale a afirmar que se procederá se o contributo dos Enfermeiros neste âmbito é válido (ou não). Um estudo científico é sempre criticável, mas configura-se sempre como uma ajuda que suporta uma decisão e a corrobora (ou não) uma posição.
Deixo os títulos e as conclusões sumárias:
Triage nurse requested x rays—are they worthwhile?” (J Accid Emerg Med 2000)
Conclusion: “A triage nurse x ray requesting system speeds up the progress of walking wounded patients through the department without compromising service quality”. Este tem um desenho (uma espécie de diagrama).

“Título: "Nurse-initiated x-ray of isolated limb fractures in the emergency department: research outcomes and future directions." (Aust Crit Care. 2002 )
Conclusão: "(...) high correlation has been found between doctors' and nurses' ordering of x-rays (…)The findings from this literature review suggest that extending the triage role to include nurse initiated x-rays has the potential to decrease waiting times and to increase patient satisfaction in the emergency department.
To improve patient satisfaction and decrease waiting times for some patients, the literature suggests that nurse initiated x-rays at the point of triage may be of value".


Capítulo “Discussões, confusões e discussões”.

“Aos enfermeiros que se orgulham da sua profissão e com quem tenho trabalhado, esta discussão passa completamente ao lado e percebem que não têm sido bem representados pelos seus “representantes”.
Isto é uma boa forma de dizer que os Enfermeiros que se acometem a um canto, sem questionar, sem mostrar sentido crítico, são os que mais lhe convém. Há que controlar as águas para perseguir certos objectivos. Se não resulta com a estratégia do elogio bondoso, o Dr. JMS e alguns médicos recorrem a outra estratégia: do ataque humilhante – que vai desde apelidarem os Enfermeiros Mini-Médicos, Médicos de Segunda (também assim apelidou, porque deu jeito, os seus futuros colegas da Universidade do Algarve e de Aveiro), frustrados, etc.
Lá porque a população de cor negra (a qual respeito) solicita os meus direitos, responsabilidades e dignidade da população de cor branca, tal significa que os negros querem ser brancos? Apelidamo-los de brancos de segunda ou frustrados?!? Se compreende a analogia, a resposta é um retumbante “é óbvio que não”.
Se essa estratégia tem algum efeito sobre as pretensões de alguns Enfermeiros, devo admitir-lhe que sobre mim isso não tem qualquer efeito. Pode bem apelidar, desconjurar, maltratar, se assim o entender. Para mim, palavras, leva-as o vento. Sou perfeitamente imune.
Já que se fala em vento, lembrei-me de "googlar" (copiei-lhe o hábito, ironicamente!) sobre a percepção dos portugueses sobre a sua pessoa. 
A minha pesquisa é tão tendenciosa na amostra, que vale o que vale, ainda assim, tem a sua pertinência. E como iniciei o parágrafo com o vento, vou a blog Aventar (06/09/2011): “O senhor Bastonário da Ordem dos senhores doutores médicos ao ver que o senhor ministro queria tocar nas intocáveis despesas do SNS (…) assim, defende o senhor Bastonário da Ordem do senhores doutores médicos, que com mais este impostozito, já não seria preciso fazer cortes nos serviços, já que quem come comida de plástico iria pagar o que os senhores doutores médicos não entendem dever poupar”.

Para garantir a sustentabilidade do SN é preciso poupar. Em que podíamos poupar? Uma vez mais, dou a voz um cidadão (por sinal Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António): “é "sintomático" que o Bastonário da Ordem dos Médicos não comente os contratos de prestação de serviços sistematicamente mantidos pelo Serviço Nacional de Saúde com algumas empresas que agenciam médicos, "esses sim com preços absolutamente pornográficos e com resultados e desempenho desconhecidos".
Na mesma peça jornalística (algarveprimeiro.com, a 18/08/2014), constatei outro facto interessante: quando dá jeito, o senhor bastonário defende que segundo a OCDE, Portugal tem muitos Médicos; quando já jeito, refere que é preciso contratar mais médicos. Como não há Médicos a responderam as concursos, presumo que não estejam em casa desempregados (já devem ter o seu emprego), significaria que Portugal precisa de formar ainda mais.

Continuando, no “Observador” (06/07/2014) reza assim (da autoria do ex-Director do Público, ex-aluno de Medicina): "O bastonário da Ordem dos Médicos tem vindo a transformar-se numa versão caricatural do sindicalista de bata branca e estetoscópio, sempre a falar do SNS mas sem nunca esquecer uma agenda corporativa. Quase não há dia que passe sem que nos entre pela casa dentro o ilustre bastonário".

Adiante: “está sempre zangado, quase sempre indignado e também ele já nos anunciou tantas vezes que o Serviço Nacional de Saúde estava em vias de acabar que só esperamos que seja mais certeiro quando faz o diagnóstico dos seus doentes. Porque nem o SNS acabou, nem vai acabar".

Só mais um pouco: “A clivagem entre o sindicato independente, de um lado, e o sindicato próximo da CGTP, do outro lado, e o alinhamento da Ordem com a organização sindical mais radical e mais previsível – no sentido em que acusaram, acusam e acusarão todos os governos de “destruírem o SNS” – é muito significativa. Mas é apenas um indicador da deriva recente da organização dirigida por José Manuel Silva. Se lermos o comunicado que emitiram esta semana a apelar à greve e à manifestação encontraremos uma diatribe contra tudo e contra todos, escrita num tom exaltado e desequilibrado”.
Concluindo (porque não quero transcrever mais): “Há no entanto uma passagem no comunicado que é muito reveladora sobre as preocupações da Ordem. Escreve-se aí: “o Ministério tem patrocinado uma intensa campanha contra a dignidade de todos os médicos, usando os casos de alguns, que devem ser exemplarmente punidos, com notícias repetidamente transmitidas na comunicação social”. Eu traduzo: a Ordem está incomodada por terem sido apanhados médicos nas operações de combate à fraude no SNS”.

Capítulo “Diagnósticos de Enfermagem”.

Cito-o: "diagnósticos de enfermeiros (um conceito muito indefinido...)".

Eu aqui podia afundá-lo em argumentos. Se lesse um pouco sobre Fundamentos de Enfermagem, eu aceitaria discutir isto consigo. Porém, a sua afirmação, só por si, é reveladora. Além disso, é uma mostra do (des)respeito que tem pela Enfermagem.

Capítulo “Pré-hospitalar”.

Mencionou o Sistema de Saúde Alemão, que não é exemplo de nada. A Alemanha pode ser em exemplo económico, mas na Saúde é um mediano/bom. Desde do ano 2000 que a OMS não produz rankings, deixando essa tarefa ao arbítrio de outros. Conforme a organização que ordena a classificação, os primeiros lugares vão variando, mas nunca lá vi a Alemanha. Vi, por exemplo, a Suécia. Um óptimo e rentável sistema, onde os Enfermeiros têm funções acrescidas e a quem não há dedo que se aponte em matéria de saúde e social. Se tem algo a apontar, faça favor.
Mas antes de prosseguir, faço um (grande) reparo. Vou citar o seu comentário orientado à minha pessoa: “Finalmente uma outra afirmação correcta emitida por si: “As funções dos Enfermeiros não são intemporais. Variam de país para país, variam no tempo, variam institucionalmente, variam em função da formação, variam de acordo com as necessidades das populações, etc. As competências de hoje não são as de outrora e não serão do futuro.” Logicamente, é uma verdade de La Palisse, acontece o mesmo em todas as profissões!!! Acho que ninguém se admira com esta realidade!!!
Portanto, desconstrói e inviabiliza o meu argumento, classificando de “verdade de La Palisse”. 

Todavia, é interessante como vai repescar agora um dos exemplos da "verdade de La Palisse", para sustentar o seu. Em filosofia, nas cadeiras de lógica e argumentação, isto é digno de chumbo. É um erro crasso. Ainda assim, desportivamente, aceito.

Não sei quem lhe contou a realidade alemã, bem como o status da Enfermagem alemã. Muito sucintamente: as colheitas de sangue são uma tarefa atribuídas aos Médicos, comumente executada pelos Enfermeiros (cansados de esperar). 

Os Enfermeiros intubam, algaliam, executam pensos, etc. Nos Cuidados Intensivos, os Enfermeiros solicitam análises laboratoriais, ajustam ventiladores, etc, mas uma vez mais varia de instituição para instituição, mas sobretudo varia até entre o território da Ex- República Democrática e República Federal.

Mas isto lança uma questão interessante: qual é a vantagem dos Médicos na colheita de sangue? Executam melhor? Menos intercorrências? Melhores amostras? Resultados mais fidedignos? A resposta é básica.
Em Portugal muitas classes partilham esta função, sendo que os Enfermeiros, pela experiência, são muito solicitados para encontrar aquela vénula que ninguém mais encontra.

A Alemanha é um mau exemplo para a Enfermagem. Não tem qualquer quadro regulatório, reinando a anarquia. A legislação enformadora é escassa. 
Não obstante, confirma o meu argumento, caro Dr. JMS, que eu volto a reproduzir: “As funções dos Enfermeiros não são intemporais. Variam de país para país, variam no tempo, variam institucionalmente, variam em função da formação, variam de acordo com as necessidades das populações, etc”.

Um exemplo interessante: Canadá. Há um punhado de décadas, era necessário um médico para dar uma simples intra-muscular. Desde então, o contexto evoluiu tanto, que os Enfermeiros, prescrevem, solicitam exames, etc, etc. Evoluíram assim para umas das melhores Enfermagens do mundo!

Voltando, ao tema do capítulo – Pré-Hospitalar.

Helicópteros tripulados por Enfermeiros e Bombeiros. Viu alguma instituição representativa de Enfermeiros defender este modelo? Eu não. Vi-os defender a equipa Médico-Enfermeiro. Se me provar o inverso, aceito.
Interessante como apresenta os protocolos no pré-hospitalar como um solução atractiva, mas quando o raciocínio se aplica aos Enfermeiros, os defeitos e perigos aparecem subitamente. Não se importa (e defende) que uma profissão, cujo requisito de admissão é o 12º ano de escolaridade actue sem presença médica, mas opõe-se (opõem-se, opõem-se, opõem-se) aos protocolos e alargamento funcional dos Enfermeiros.
A esta contradição de raciocínio, o povo descrever como “não bate a bota com a perdigota”. Os protocolos são bons para os outros, mas para os Enfermeiros são maus. Isto é, se forem os Médicos a executá-los (como no exemplo da triagem), já são bons de novo. Eu acho que o senhor se baralha a sai próprio.

Cito-o, novamente: “Factualmente, como vê, em sede judicial os técnicos foram “avalizados” e foi-lhes permitido executar determinadas técnicas life saving depois de devidamente treinados.”
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Onde está isso escrito, Dr. JMS? O que está, era o que havia, por assim dizer. O Despacho 9958/2014 teve efeitos suspensivos sobre tudo o que estava previsto.

Ainda assim, repare no seguinte. A maioria das ambulâncias tripuladas por técnicos está sobreposta com a rede VMER (estranho!), o que significa que há Médicos e Enfermeiros disponíveis e uma rede hospitalar perto. 

Se as ambulâncias estivessem no interior, eu questiono: sem casuística que justifica a manutenção de competência, os TAE como vão fazer? Os Enfermeiros treinam imenso no contexto hospitalar, ou na rede SIV, nos SUB’s, mas os TAE não. Arrisca a sua vida em alguém que punciona de vez em quando (olhe, eu não!) ou execute um procedimento de longe a longe? Olhe, eu confio essas coisas aos senhores enfermeiros e doutores.


O Modelo de Pré-Hospitalar proposto pela Ordem dos Enfermeiros não é centrado nos Enfermeiros, tal como o senhor bem sabe (a hipocrisia dificulta o “debate”). É centrado nas duas classes que a lei prevê como únicos que podem executar Suporte Avançado de Vida: Médicos e Enfermeiros.
A Ordem dos Enfermeiros não tem obrigação de apresentar nada aos Médicos. A Ordem dos Médicos tem jurisdição sobre os Médicos. A definição das políticas de saúde cabe apenas à tutela. Para quantos projectos/propostas é que a Ordem dos Médicos bateu à porta dos Enfermeiros? Zero.
Reitero a minha posição inicial: todos os intervenientes deveriam convocados para a discussão, moderada pelo próprio Ministério, como é facilmente compreensível. E foram, mas a certo ponto (escassez de argumentos!) o Dr. JMS deixou de se apresentar…

Passo a cita-lo: “Só tenho pena que chegue ao fim do seu mandato sem elaborar o que a própria CEM se tinha proposto e para o que lhe foram dadas as condições solicitadas: elaborar um plano integrado para o pré-hospitalar”.
Segundo consta, não apresentaram porque a perspectiva deles sobre o pré-hospitalar é substancialmente diferente da sua. A incompatibilidade leva à infertilidade. Pese o facto, nunca a irão apresentar. Irremediavelmente.

Se prefere um modelo com técnicos de emergência na rua, os seus colegas podem agradecer-lhe, uma vez que esses modelos tendencialmente, esvaziam a presença de médicos na rua. Para o seu exemplo, em particular, convém dizer que os Técnicos dispõem de uma formação muitíssimo superior à dos nossos, cujo enquadramento é mais próximo dos Enfermeiros. Mas se em Portugal temos Enfermeiros suficientes, para que queremos Técnicos? Não há evidências que sejam melhores que os Enfermeiros!

Portanto, como vê, é uma argumentação circular. Se escolher esse caminho, vai girar como um carrossel.

Se me responde ou não, o problema já não é meu.

Aceite os meus respeitosos cumprimentos.

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