domingo, Julho 13, 2014

Mais 80 a favor do SNS!



segunda-feira, Julho 07, 2014

Bastonário dos Médicos a nú!

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Este magnífico artigo do José Manuel Fernandes (jornalista, ex-Director do Jornal Público) desmitifica aquelas trivialidades banais (passo a redundância) que se afirmam ou escrevem. 
Se o lerem encontrarão exactamente os argumentos e raciocínios que tantas vezes escrevi aqui neste blog, e servem, também, para recordar que devemos dar primazia às nossas capacidades críticas. Em cima encontrão o link para quem o desejar ler na íntegra (o que aconselho sobejamente!), mas não posso escusar a publicar alguns excertos:
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"José Manuel Silva, o bastonário da Ordem dos Médicos, está sempre zangado, quase sempre indignado e também ele já nos anunciou tantas vezes que o Serviço Nacional de Saúde estava em vias de acabar que só esperamos que seja mais certeiro quando faz o diagnóstico dos seus doentes. Porque nem o SNS acabou, nem vai acabar, mesmo que ele faça coro com um outro sindicalista eterno, também ele Mário, o Mário Jorge Neves da FNAM, o sindicato médico próximo da CGTP. Também ele anda a dizer o mesmo há pelo menos 12 anos, tantos quantos há de arquivo na internet de comunicados dessa federação sindical – é só consultar."
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"Nos próximos dias 8 e 9 o José Manuel e o Mário Jorge vão estar juntos, e de braço dado, numa greve médica. Só que desta vez a greve não é unânime: o outro sindicato, o SIM, não aderiu. E explica porquê: “não se furta nem se furtará ao trabalho negocial, por menos visível e fotogénico que seja, por mais dissonante da política geral que possa parecer, mas passível de dar frutos”"
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"Se lermos o comunicado que emitiram esta semana a apelar à greve e à manifestação encontraremos uma diatribe contra tudo e contra todos, escrita num tom exaltado e desequilibrado e que arranca logo considerando que o SNS se degradou “muito mais do que outros sectores da governação”, e tudo “por mera opção política”. Isso mesmo: há uns facínoras no Governo que só querem mal aos médicos e aos doentes, “por opção política”."
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"Este retrato da Ordem não casa bem com a realidade. Basta olhar para alguns números. Em 2013 a taxa de mortalidade infantil desceu, o mesmo sucedendo com as taxas de mortalidade perinatal e neonatal, tudo indicadores seguros de que não há degradação dos cuidados de saúde, pelo contrário. Ao mesmo tempo, em 2012, a esperança de vida dos portugueses, calculada pelo INE, voltou a subir, pelo que parece que o ministro não anda por aí a matar velinhos. Mas há mais: registou-se nos últimos anos uma diminuição do tempo de espera para cirurgias em geral e realizou-se o maior número de sempre de transplantes pulmonares e cardíacos, só para referir duas frentes de actividade do SNS."
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"Há no entanto uma passagem no comunicado que é muito reveladora sobre as preocupações da Ordem. Escreve-se aí: “o Ministério tem patrocinado uma intensa campanha contra a dignidade de todos os médicos, usando os casos de alguns, que devem ser exemplarmente punidos, com notícias repetidamente transmitidas na comunicação social”. Eu traduzo: a Ordem está incomodada por terem sido apanhados médicos nas operações de combate à fraude no SNS."
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"Se da FNAM apenas se pode esperar o que se espera de um sindicato com uma orientação na linha da da CGTP, já relativamente à Ordem dos Médicos a expectativa era outra. De facto tempos houve em que o lugar de bastonário foi ocupado por figuras de referência não apenas da sua profissão, mas da sociedade portuguesa. Gente que tinha o seu próprio pensamento, gente vinda de áreas muito diferentes do ponto de vista ideológico, mas gente que sabia o lugar onde estava e conhecia as suas responsabilidades perante os médicos e perante o país. Não é isso que sucede nos dias que correm, e infelizmente não é só entre os médicos que se degradou a imagem do bastonário – basta pensarmos também na Ordem dos Advogados."
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"Não se espera de um bastonário que seja mais um líder sindical (...). Afinal a Ordem dos Médicos tem poderes delegados pelo Estado para certificar os seus profissionais, razão por que ninguém pode ser médico sem pertencer à sua Ordem."
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"Uma Ordem devia ser um lugar sereno e um bastonário alguém que se escuta com atenção porque tem coisas importantes a dizer – não alguém que exorta todos os médicos a “suspenderem a colaboração com o Ministério da Saúde, ACSS, ARS, DGS, Infarmed, Hospitais e ACES, bem como de quaisquer outros Grupos de Trabalho”. Como se pode escrever isto e, ao mesmo tempo, considerar que a Ordem é um “provedor do doente” e está a defender o SNS ultrapassa a minha compreensão."
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"A “defesa do SNS” não passa do manto usado para cobrir matérias puramente corporativas."
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"(...) degradação perceptível nas tomadas de posição da sua Ordem e do seu bastonário."

quarta-feira, Julho 02, 2014

O temível ante-projecto da "lei da rolha" está disponível para consulta!

("O grito"; Edvard Munch)
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Podem consultar e contribuir, aqui.
Sobre esta matéria, o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros também tornou pública a sua opinião (Diário de Notícias):
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(Clicar para ampliar e ler)

Sucessões de títulos jornalísticos (interessantes).


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Sem comentários adicionais. Quem presumir que o último "título" é a conclusão, está acompanhado pela razão.

quinta-feira, Junho 19, 2014

"Partos na água" na TVI!

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Amanhã, no Jornal da Manhã da TVI, pelas 9h, o Enf. Vítor Varela - Presidente da Mesa do Colégio de Especialidade de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros - estará em estúdio para clarificar conceitos sobre esta esta modalidade de partejamento! 
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Entretanto, circula uma Petição Pública a favor dos "Partos na Água". Podem assinar, aqui!

domingo, Junho 15, 2014

Invenções da Ordem dos Médicos e... a resposta da Ordem dos Enfermeiros!

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"O parecer da Ordem dos Médicos foi emitido após um pedido feito por um obstetra do Hospital de Setúbal contra os partos na água e sublinha a falta de base científica e de ensaios clínicos que assegurem a segurança e benefícios do parto subaquático" link 

A Ordem dos Médicos (cada vez mais uma ilha), a pedido de um Obstetra do Hospital de São Bernardo, que integra o Centro Hospitalar de Setúbal, emitiu um parecer que desaconselha os partos na água. Curiosamente, essa instituição é pioneira no SNS no que concerne aos partos aquáticos. Curiosamente, também, o Enfermeiro-Chefe da Maternidade deste hospital é o Enf. Vítor Varela (ler peça com declarações no site da TVI), Presidente da Mesa do Colégio de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros.
Portanto, já se percebe aqui alguma lógica num possível "encadeamento de raciocínio", subjacente a este parecer.
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O argumento do Bastonário da Ordem dos Médicos (que já nos habituou à teatralidade) é peculiar: "o homem é um animal terrestre e não aquático". Podia ser um comentário de um leigo, mas não é. Outro leigo poderia retorquir de igual modo: "... mas durante 9 meses desenvolve-se imerso em água". Todavia, o caminho não será por aqui - para os Enfermeiros e Médicos, que pautam o seu pensamento pela postura científica, existe algo mais substancial: evidências.
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Se não existem, ainda, sobre esta matéria, vantagens concretas demonstradas, é sabido, igualmente, que não existem desvantagens, ou seja, o parto aquático, constitui-se como uma opção tão válida e saudável quanto as outras, possivelmente mais natural e confortável, até. Se passarem os os olhos pela realidade internacional, é desde logo perceptível que se trata de uma modalidade de partejamento muito conhecida, apoiada e incitada. 
Vejamos, por exemplo, o estado da arte no Reino Unido: "Both the Royal College of Obstetricians and Gynaecologists and the Royal College of Midwives support labouring in water for healthy women with uncomplicated pregnancies". A Organização Mundial de Saúde também aconselha e apoia esta modalidade!
Isto é o que se preconiza em Setúbal, inclusivamente com o conhecimento e apoio do Ministério da Saúde. a Ordem dos Médicos... é contra!!
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A Ordem dos Médicos tem o velho hábito de ser contra tudo aquilo em que os Enfermeiros estão envolvidos. Ainda me lembro da polémica em redor dos partos domiciliários, onde a Ordem dos Médicos acusou os Enfermeiros de os promover e executar, ainda que o Instituto Nacional de Estatística revele que... são os Médicos quem mais os realiza!
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Quem arrasou completamente este parecer da Ordem dos Médicos, foi o parecer da Ordem dos EnfermeirosTranscrevo o seguinte trecho:

"A hierarquia da carreira de enfermagem não inclui o médico de urgência como superior hierárquico dos EEESMO pelo que a responsabilidade dos actos de enfermagem é apenas atribuível aos EEESMO; saliente-se que, em termos de actividades autónomas de enfermagem, os EEESMO não desenvolvem os seus cuidados sob orientação de outro profissional: este tipo de cuidados são ditos interdependentes e não se incluem nos cuidados a prestar num parto fisiológico, na água ou fora dela.
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Os partos na água, desde que conduzidos com excelência profissional são, provadamente benéficos tanto para a mãe como para o recém-nascido pelo que deve ser incentivado. Pelo contrário, partos em posição de litotomia, induções por rotina antes do termo da gravidez, e aceleração rotineira do trabalho de parto de forma artificial estão contra-indicados pela Organização Mundial de Saúde13 pois que são provadamente potenciadores de desvios à normalidade do processo de parir e, por isso mesmo, devem ser limitados às situações em que realmente são necessários; de resto vários estudos comprovam estes dados.
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Lamentamos que, apesar de toda a evidência científica, os partos medicalizados e em posição de litotomia se mantenham prática amplamente utilizada e incentivada nas salas de partos portuguesas. Impedir uma parturiente de parir na água quando esta prática já é possível no local escolhido e sem que existam reais contra-indicações é, no mínimo lamentável, eticamente reprovável e por isso inadmissível.
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No contexto da questão que levantou a necessidade deste parecer, estando-se a falar de uma situação totalmente fisiológica, a necessidade da presença médica é totalmente desnecessária (pois que releva das actividades autónomas dos EEESMO, de acordo com o REPE) (...).
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Congratulamo-nos que o Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos não inclua o parto aquático na sua Legis Artis Médica e que esta prática não tenha lugar nos curricula académicos médicos pois, sendo um parto fisiológico, esta prática insere-se nas actividades autónomas do EEESMO, pelo que a actividade médica é supérflua."
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A fundadora da BioNascimento também não quis deixar de contribuir:
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E hoje seguiu o que tínhamos a dizer à Ordem dos Médicos, com conhecimento para a DGS, sobre a questão do Parto na Água em Setúbal. Esperamos sinceramente que esta seja uma causa levada por quem de direito como um interesse público.
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Exmos. Senhores da Ordem dos Médicos,
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Sou Mãe de dois filhos, uma com 13 e outro com 5 anos, sou também fundadora do site BioNascimento, Doula e activista do parto há 9 anos.
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Dirijo-me a V. Exas por uma desonestidade e manipulação grave a que estou a assistir.
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Circula a informação de que o parto na água no Hospital São Bernardo está em risco, tendo por 
base a argumentação de que têm que haver mais provas cientificas de que não é prejudicial para o bebé. A maioria dos Srs. Obstetras e Pediatras estão unidos nesta decisão. Até aqui nada de mais e tudo aparentemente certo.
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Gostaria no entanto que estes profissionais de saúde honestamente explicassem o porquê desta decisão para uma " intervenção natural" como é a água, e curiosamente há dezenas de anos que não protegem os Bebés da mesma forma e com a mesma argumentação, das intervenções não naturais como são por exemplo a oxitocina e a epidural, ou até mesmo o misoprostrol. Este último nem fármaco de obstetrícia é, e têm-no usado largamente para induções sem o devido consentimento informado, e com situações gravíssimas a acontecer em diversos hospitais. Imagino que seja do conhecimento de V. Exas. que em países como o Reino Unido, Canada e Austrália, este fármaco só é autorizado usar em caso de morte fetal.
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Basicamente se consultarmos a Biblioteca Cochrane para o uso de oxitocina para aceleração do trabalho de parto encontramos que:
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Slow progress in the first stage of spontaneous labour may be caused by weak contractions of the womb. Doctors and midwives commonly give a drug called oxytocin with the aim of strengthening contractions and speeding up labour to avoid harm to both the mother and the newborn infant. The belief is that managing the labour in this way will enable progression to a normal vaginal delivery and reduce the need for caesarean section. However, others have been fearful that it has no effect on the type of delivery a woman might have and in other ways may do more harm than good. This review of eight studies, involving 1338 low-risk women in the first stage of spontaneous labour at term, showed that oxytocin did not reduce the need for caesarean sections. Neither did it reduce the need for forceps deliveries or increase the number of normal deliveries when compared with no treatment or delayed oxytocin treatment. Oxytocin seemed to shorten labour by nearly two hours on average. The uptake of epidurals was no different. It does not seem to cause harm to the mother or baby, but the sample size was too small to determine if its use has an effect on the death rates of babies. The decision whether to undergo this treatment is one that can reasonably be left to women to decide in the context of a reduction in the length of labour. The included trials used different doses of oxytocin, and different criteria for starting treatment in the delayed oxytocin arm."
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Para o uso da Epidural a mesma Biblioteca Cochrane diz que:
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Pain relief is important for women in labour. Pharmacological methods of pain relief include inhalation of nitrous oxide, injection of opioids and regional analgesia with an epidural for a central nerve block. Epidurals are widely used for pain relief in labour and involve an injection of a local anaesthetic into the lower region of the spine close to the nerves that transmit pain. Epidural solutions are given by bolus injection, continuous infusion or using a patient-controlled pump. Lower concentrations of local anaestheticare needed when they are given together with an opiate, allowing women to maintain the ability to move around during labour and to bear down. Epidural analgesia may sometimes give inadequate analgesia, which may be due to non-uniform spread of local anaesthetic. Combined spinal-epidural involves a single injection of local anaesthetic or opiate into the cerebral spinal fluid for fast onset of pain relief as well as insertion of the epidural catheter for continuing pain relief. Side effects such as itchiness, drowsiness, shivering and fever have been reported and rare but potentially severe adverse effects of epidural analgesia do occur.

The review identified 38 randomised controlled studies involving 9658 women. All but five studies compared epidural analgesia with opiates. Epidurals relieved labour pain better than other types of pain medication but led to more use of instruments to assist with the birth. Caesarean delivery rates did not differ overall and nor were there effects of the epidural on the baby soon after birth; fewer babies needed a drug (naloxone) to counter opiate use by the mother for pain relief. The risk of caesarean section for fetal distress was increased. Women who used epidurals were more likely to have a longer delivery (second stage of labour), needed their labour contractions stimulated with oxytocin, experienced very low blood pressure, were unable to move for a period of time after the birth (motor blockage), had problems passing urine (fluid retention) and suffered fever. Long-term backache was no different. Further research on reducing the adverse outcomes with epidurals would be helpful.
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O nosso Infarmed, para o uso do Misoprostrol na Gravidez alerta que:
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O misoprostol está contra indicado em mulheres grávidas porque induz contracções uterinas e está associado ao aborto, parto prematuro, morte fetal e malformações congénitas. A exposição ao misoprostol no primeiro trimestre está associada a um risco significativamente aumentado de duas malformações congénitas: sequência de Möbius, ou seja, paralisia de nervos cranianos VI e VII, e alterações na parte terminal dos membros. Foram observados outras alterações incluindo artrogripose. O risco de ruptura uterina aumenta com o avanço da idade gestacional e com a cirurgia uterina prévia, incluindo cesariana. Partos múltiplos parecem ser também um factor de risco para a ruptura uterina.”

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Cientificamente o que temos para o Parto na Água por parte da mesma Biblioteca Cochrane é tão simples como isto:
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This review includes 12 trials (3243 women). Water immersion during the first stage of labour significantly reduced epidural/spinal analgesia requirements, without adversely affecting labour duration, operative delivery rates, or neonatal wellbeing. One trial showed that immersion in water during the second stage of labour increased women's reported satisfaction with their birth experience. Further research is needed to assess the effect of immersion in water on neonatal and maternal morbidity. No trials could be located that assessed the immersion of women in water during the third stage of labour, or evaluating different types of pool/bath.
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É assim questionável o rigor científico que estes profissionais médicos estão a querer ter em defesa dos bebés, e é ainda mais estranho é que só o tenham para com uma intervenção natural, como é o recurso à água.
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Vejo que estes Exmos. Srs.Obstetras e Pediatras estão a querer seguir os passos que estamos a assistir que os seus homólogos estão a querer adoptar nos EUA. Há que no mínimo pensar “pela nossa cabeça” e saber que no que toca a saúde pública dos EUA vêm poucos exemplos que faça sentido seguirmos, no entanto, não resisto a questionar se ao estarem tanto de acordo com a ACOG para o Parto na Água, se vão estar igualmente de acordo com as suas novas recomendações para a Prevenção segura da primeira cesariana, emitidas em Março deste ano?

Circula igualmente a informação de que o Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia emitiu um parecer a propósito deste assunto. Seria de todo interessante que V. Exas. tornassem esse parecer e a vossa posição relativamente ao Parto na Água pública, para que o fundamento científico da mesma pudesse ser devidamente analisado pela sociedade em geral, assim como pelas demais classes profissionais de saúde.
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Sabem os Srs. Obstetras que compõem o vosso Colégio da Especialidade que são muitos os Países desenvolvidos que têm nos seus hospitais banheiras à disposição das Mulheres como uma opção. Países com resultados na mortalidade neonatal equiparáveis a Portugal.
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Se o que os Exmos. Srs. Obstetras e Pediatras procuram é genuinamente proteger os bebés, então protegem-nos de TUDO o que não está suficientemente estudado, que basicamente é TUDO o que a atual obstetrícia interventiva aplica, desde a monitorização contínua à tão admirada epidural e oxitocina. Sabem estes profissionais tão bem como nós, que uma medicina baseada em revisões sistemáticas é algo tão recente como a existência da conhecidíssima Biblioteca Cochrane que fez o ano passado apenas 20 anos. Assim sendo, a possibilidade de rigor cientifico em muitas matérias é quase nula, dado que estudos epidemiológicos e longitudinais nesta área da obstetrícia é coisa rara.
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Permitam-me que termine relembrando-vos que a era em que a informação científica era de exclusivo acesso aos profissionais de saúde já terminou. Hoje só sofre de ignorância científica quem quer. Portanto, por favor, não pensem que as Mulheres não são capazes de tomar decisões informadas porque o são. Aos profissionais e instituições de saúde compete facultar a informação cientifica existente de forma simples e acessível, sem manipulações corporativistas, e aplicar eticamente os respectivos consentimentos informados.
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Dou conhecimento deste email à Direcção Geral de Saúde, visto existir a informação de que a Administração do Hospital de Setúbal aguarda parecer deste órgão.
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Na expectativa da vossa resposta, apresento os meus melhores cumprimentos.
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Atenciosamente,
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Sandra Oliveira

CD(DONA); CBE; CIMI; LC


quarta-feira, Junho 11, 2014

Ali Baba e os quarenta vermelhos foram à Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros!

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No dia 30 de Maio decorreu mais uma Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros. A ordem de trabalhos era a seguinte: 
Ponto 1 – Discussão e votação de Tomada de Posição do estado actual da profissão de Enfermagem; 
Ponto 2 – Discussão e votação da Tabela de Taxas, Emolumentos e Quotas; 
Ponto 3 – Discussão e votação da proposta de alteração do Regimento Disciplinar da Ordem dos Enfermeiros; 
Ponto 4 – Discussão e votação da proposta de Norma para o Cálculo de Dotações Seguras dos Cuidados de Enfermagem.
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Importa, ainda, antes de prosseguir, fazer o seguinte intróito: na véspera desta Assembleia, a 29 de Maio, aconteceu, organizado e impulsionado pelo Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, uma reunião geral com a presença de todos os stakeholders da profissão – Ordem, Sindicatos e Escolas de Enfermagem e todas as Organizações/Associações de Enfermeiros existentes no país. 
O primeiro encontro sucedeu a 7 de Novembro de 2013 e desde então tem sido desenvolvidos esforços na consensualização de objectivos e definição de estratégias objectivas que afectarão fortemente o futuro da profissão em Portugal.
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.Merece a verdade que se clarifique o seguinte: o trabalho destes últimos seis meses tem decorrido muito bem, com todos os players a manifestarem as mesmas preocupações e a proporem soluções semelhantes (o que é positivo, pois um barco precisa que todos os remadores se esforcem no mesmo sentido)… excepto o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Este sindicato manifesta posturas confusas e posições "estranhas", algumas delas contra tudo e contra todos. Um dos exemplos mais conhecidos é oposição à existência da categoria de Enfermeiro Especialista na carreira de Enfermagem!
O Presidente do Sindicato do Enfermeiros, Enf. José Azevedo, inicialmente discordante e opositor do Enf. Germano Couto, testemunha de forma inequívoca sobre esta matéria:
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"Cobardemente, foram os únicos que faltaram à chamada, que culminou 6 meses de trabalho honesto para encontrar pontos de com senso para melhorar a estado a que a estratégia deles nos conduziram. 
A afirmação do SEP que não aderia à congregação de esforços, pela pessoa do seu Presidente, sem consultar a sua "Organização", fez com que nunca mais fosse visto nas reuniões seguintes, o que quer dizer que a unicidade de que falam é a deles. A bronca da sucessora, ao declarar, fazendo justiça a uma estupidez maligna, que é contra a especialidades na Enfermagem, o que quer dizer, desde já, que na sua perspectiva, ainda a querem instalar num escalão mais baixo, foi provavelmente a causa da ausência de representação."
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Se excluirmos, a ambivalência da sua representação – uns dias o(s) representante(s) está em nome pessoal, outros sob a égide institucional, conforme dá jeito e o vento dá nas velas e nas ideias – o SEP deve defender algum interesse extraterrestre, (muito) difícil de decifrar. Nesta última reunião, todos na reunião falaram em uníssimo. O SEP… faltou! Nesta encontro foi definido um dos documentos mais importantes do passado recente da Enfermagem: Compromisso para a Enfermagem, que se constituiu, como podem verificar, como o primeiro ponto da ordem de trabalhos na Assembleia Geral, para que pudesse ser formalizado e legitimado como uma tomada de posição universal.
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Questiono: porque terá sido o SEP/SERAM os únicos a faltarem ao convite da Ordem dos Enfermeiros para assinarem um Compromisso para o futuro da Enfermagem?
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Dia seguinte: 30 de Maio, Lisboa, 13h30', Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros. 
Se há um local para onde o SEP converge é para as Assembleias (para descomprimir a fúria da derrota eleitoral de 2011, ainda muito mal resolvida nas suas cabeças), mas neste dia até reuniu pela manhã onde alinhou a estratégia da parte da tarde: "é para votar contra tudo" - conforme relata o colega Mário Costa, na primeira imagem que ilustra este post!
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Para o SEP é irrelevante se o trabalho é apresentado é bom ou muito bom – é para 
"chumbar"Reuniu os vermelhos com a orientação bem definida e votou sempre contra.
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No primeiro ponto - Discussão e votação de Tomada de Posição do estado actual da profissão de Enfermagem – onde tudo, supostamente, seria unânime, o SEP votou contra. Num documento de consenso e união entre todos, o SEP... vota contra e chumba-o!!! 
Por lá (documento) constam objectivamente as formas de luta e intenções para o futuro, entre elas o reforço do papel do Enfermeiro Especialista, a tal categoria que o SEP abomina! Chumbado pelo SEP ou não, o Bastonário Germano Couto, bem como o Sindicato dos Enfermeiros, todas as Escolas e todas as Associações de Enfermagem, pautarão as suas intervenções e decisões futuras com base nestas orientações.
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Nos restantes pontos da ordem de trabalho, é imperativo ressalvar o ponto número quatro: Discussão e votação da proposta de Norma para o Cálculo de Dotações Seguras dos Cuidados de Enfermagem.
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Com esta norma, a Ordem dos Enfermeiros pretende ter um referencial que lhes permita obrigar as instituições a dotar as suas equipas. Não se trata de um mero instrumento de recomendação, tal como aquele que a Ordem tinha firmado na era da ex-Ministra da Saúde, Ana Jorge (cujo processo ficou incompleto, por incumprimento do que foi acordado, nomeadamente as experiências-piloto).

O Enf. José Azevedo opina, uma vez mais:
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"Esta NORMA, absolutamente, indispensável para fixar um ponto onde se possam calcular os mínimos a partir dos quais não há condições de qualidade e de segurança nos cuidados de Enfermeiro. 
Eis uma consequência de haver pessoas sem experiência profissional a tomarem decisões cujas perspectivas são destituídas de um elemento essencial, as consequências do que defendem e do que atacam. Este ponto foi aprovado por 41 votos a favor e 40 contra, os tais 40. 
Será que há nos Enfermeiros quem seja capaz de não reconhecer aos colegas, que exercem no duro da profissão, o direito de terem condições de trabalho, mínimas? Infelizmente, há!"
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Pensava eu que não haverá nenhum Enfermeiro neste planeta azul que discorde com as boas dotações... mas há! O SEP, uma vez mais!
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Há uma explicação e ela chama-se... Germano Couto. É que o Senhor Bastonário desde que foi eleito (afastando os vermelhos do SEP, que controlavam a Ordem a seu bel-prazer) tem limpado o “terreno” e implementado uma política de transparência - esta opinião não é só minha. Sobre isto, uma vez mais, o Enf. José Azevedo, é muito claro e frontal (leiam com atenção, colegas)

"(...) Um dos principais responsáveis, pela estratégia, que conduziu a Enfermagem ao estado em que se encontra: o SEP faltou à chamada. Durante década e meia, funcionou como Sindicato Único ao fundir-se com a Ordem dos Enfermeiros, sem se preocuparem, ambos, em esconder os limites respectivos, que anularam, pois não se sabia, onde começava um e acabava o outro. E, agora, reagem mal a essa falta de UNICIDADE em que funcionavam; a Ordem como Sindicato e o SEP como Ordem, para realizarem a política demolidora que o PCP tem demonstrado para a Enfermagem, que não quer tão evoluída. E os seus militantes temem ir para casa de mãos a abanar. Até têm de inventar a desculpa de que a Ordem está a ingerir na esfera do(s) Sindicato(s)... Pois está, na medida em que, na administração anterior da Ordem, e como se disse, para quem não esquece depressa, a Ordem está a recuperar o seu papel, que lhe é imposto por lei, como aos Sindicatos que até têm uma rubrica no estatuto que se chama "rebelião", quando as leis violam os direitos, mais elementares dos seus Associados. Fingem ter medo de ingerências, que não são para aqui chamadas, porque já não existem, felizmente para os Enfermeiros. Foi tempo suficiente para convencer quem contrata Enfermeiros, que estas instituições podiam contar com a ideia hipócrita que o PCP e os seus militantes fazem do Enfermeiro Português.(...)".
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Perante isto, as conclusões são evidentes…!
Pergunto: os colegas que ainda estão vinculados a estes dois sindicatos (SEP e SERAM) ainda acreditam em... quê? 
Um conselho: neste momento de crise está na hora de tomarem uma atitude inteligente e oportuna: migrem de sindicato...ou promovam-se com um aumento salarial de 1%!

sábado, Junho 07, 2014

Não há rolhas para os Enfermeiros...

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A propósito do péssimo jornalista acerca da Lei da Rolha...
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Depois de deixar a poeira assentar, cá vai:
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1 - Não vos preocupeis, colegas, durmam descansados, o famigerado código de conduta e ética NÃO se aplica aos Enfermeiros;
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2 - Os Enfermeiros já detêm um código deontológico (o mais rigoroso do sector) pelo qual se regem. Somos a única classe que possui um código deontológico publicado com o formato de Lei (111/2009, de 16 de Setembro). Ora, a "lei da rolha" será constituída em Portaria, o que significa que, na hierarquia legal, uma Lei sobrepõem-se sempre a uma Portaria. Pacífico, portanto;
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3 - A liberdade de expressão não será coarctada. Aliás, os Enfermeiros mantém os mesmos deveres de denúncia que existem hoje. Os canais de comunicação continuarão a ser os mesmos: chefias intermédias, chefias superiores, Sindicatos/Ordem/Ministério da Saúde. Tudo com as mesmas condições e repercussões do momento actual. Sem stress;
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4 - Como qualquer organização, o SNS merece ter um simples código de conduta e ética, ou não? Uma espécie de pacto social entre os prestadores de cuidados e os respectivos utentes. O código aplica-se a todos os funcionários, expecto nos pontos que colidem com o código deontológico de cada classe (reparem que os administrativos, assistentes, etc... não têm qualquer código deontológico! - já pensaram que uma administrativa pode consultar um processo clínico e veiculá-lo em praça pública, sem nada que a proíba?);
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5 - O código de conduta e ética é um instrumento banalíssimo. No entanto, no presente momento, foi utilizado e empolado como fait-diver e arma (de arremesso) política. É um instrumento de harmonia, nada mais;
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6 - Nunca nada se resolveu em barafunda pública;
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7 - Não tomem as "dores" dos Médicos, esses sim, preocupados com este código. Estão habituados à anarquia do eu "quero, posso e mando", das ofertas de viagens e congressos encapotados, "brindes" etc. Assim esperneiam, pois claro. Acresce a isto que têm um código de ética simples, consubstanciado num simples regulamento da sua Ordem. Portanto, este código sobrepõem-se e serão "disciplinados";
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8 - Colegas, poderão, sem receios,  continuar a levar para casa as canetas que vos oferecem: galinhas debaixo do braço, potes de mel caseiro ou um café de agradecimento não serão punidos pelo código de conduta e ética. Aqueles beijos e abraços de reconhecimento sentido (que todos nós bem conhecemos) continuarão a ser bem-vindos;
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9 - Pesando tudo isto, como podem os Médicos "gramar" o Ministro Paulo Macedo?! Quando as cercas do quintal encolhem, o labrador berra;
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10 - Não se esqueçam que o documento está em auscultação pública (todos podem contribuir) e sofrerá a adaptabilidade institucional;
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11 - Por fim, reitero: descansem. Nada na nossa vida mudará. Confiem nisto: muitos de vós serão acérrimos apoiantes desta Portaria.

sexta-feira, Junho 06, 2014

Sabiam...


Enf. Guadalupe Simões, Vice-Coordenadora Nacional do SEP

...que o Ministério da Saúde propôs aos SEP - antes das alterações de horário impostas pela troika - uma carga semanal de 40 horas com o respectivo vencimento ajustado? O SEP recusou (insistindo sempre nas negociações pelas 35h, sem nunca considerar um regime de 40h). Os Médicos não! - Aceitaram! 
Percebem agora porque é que os Médicos usufruem de salários compatíveis com as 40 horas? Há por aí algum SEPista que me desminta?!! Vá, alguém que tenha coragem!

quarta-feira, Junho 04, 2014

Olha, olha!

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Não dizia o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses que não negociou carreira nenhuma, nem (muito menos) a tabela salarial? Fomos "obrigados", afirmam!

terça-feira, Maio 27, 2014

Dúvidas sobre acréscimo de horas nos "horários".

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Caríssimos colegas,
vejam se as horas resultam de uma situação imprevista (ex. doença súbita de um(a) colega) ou se estão escritas na escala:

1- As imprevistas são mesmo extraordinárias e ninguém se pode recusar a fazê-las

2- As obrigatórias são 40 horas semanais (enquanto se aguarda que o tribunal decida sobre processo que que o Sindicato dos Enfermeiros instaurou e "espera ganhar, pois tem todas as condições para isso"). As que estão na escala a cobrir necessidades permanentes, não são obrigatórias.

Devem analisar o escalão do IRS, pois as horas extraordinárias podem agravar-vos a carga contributiva e terem de pagar para trabalhar.
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Nota: texto adaptado daqui (com legislação de apoio sobre esta matéria)

domingo, Maio 25, 2014

O prometido é devido!


"Atribuição do título de enfermeiro especialista: Conselho Diretivo propõe redução em 50% da taxa de emissãolink

Numa era em que o poder político parece não ter pejo em não cumprir as promessas eleitorais, li, com agrado, que o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Enf. Germano Couto, pretende, uma vez mais, consumar uma das medidas da sua Proposta Eleitoral para o mandato 2012-2015: a redução para metade do valor da taxa de emissão do título de Enfermeiro Especialista, que neste momento está fixado em 90 euros.


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Esta intenção irá a sufrágio na próxima Assembleia Geral de 30 de Maio, cabendo aos Enfermeiros decidir. Todavia, parece-me que a estrutura argumentativa que a Ordem apresenta é demasiado evidente e objectiva para ser rejeitada.


Afinal, parece que, neste País, há quem cumpra promessas (e não é a primeira)!

quinta-feira, Maio 22, 2014

Proposta do SEP para a regulamentação do "Enfermeiro de família"!

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses publicou no seu site, um conjunto de documento relativos à negociação do enquadramento legal do "Enfermeiro da família", com o Ministério da Saúde (numa espécie de ânsia pelo protagonismo).
A negociação estratégica é, em analogia, como um jogo onde existem dois ou mais intervenientes. A discussão pública de documentos envolvidos nessa negociação fragiliza a respectiva.
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A prova cabal desta minha afirmação reporta-se a 2009, à negociação da actual carreira de Enfermagem, entre o SEP e o Ministério da Saúde. Nesse período, o SEP negociava, simultaneamente, um acordo colectivo de trabalho com a hospitalização privada (com o leque salarial a ter início nos 900 euros!).
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Poucos dias após esta negociação ter sido tornada pública, o Ministério da Saúde, retirou a proposta de 1407 euros para o início da grelha salarial, reduzindo esse valor para o salário mínimo para os licenciados da Administração públicas - 1201 euros! Moral da história?
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1) O SEP não aprende com os erros;
2) A ânsia pelo protagonismo habitualmente corre mal (vide actual carreira!) 
3) Certos documentos só devem ser tornados públicos no "timing" correcto; 
3) O Ministério da Saúde agradece... e as outras Ordens profissionais/sindicatos, também!
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Isto já para nem me referir ao conteúdo da proposta em si. Faz parecer que o SEP anda baralhadíssimo com as especialidades de Enfermagem!

sábado, Maio 17, 2014

Entrevista ao Senhor Enfermeiro Arménio Carlos no site do SEP!

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Não sei quem é o Enfermeiro Arménio Carlos, mas deve ser um notável da profissão! A julgar pela inundação do site do SEP com entrevistas a este mui ilustre colega...
Assim que houver tempo, disponibilidade e vontade - por parte do SEP, obviamente - os Enfermeiros estão ansiosos por ver "plasmado" (termo em voga!) no respectivo site, alguma coisita que seja, relativa a uma qualquer matéria sindical de índole enfermeirística...

Quem tem razão, afinal?

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Afinal.... o Doutor Enfermeiro tem razão!! - e anda a repetir isto há anos!
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Os rácios são uma espécie de amor platónico na Enfermagem. Já expliquei variadíssimas vezes como são contabilizados os rácios de Enfermagem da maior parte dos países do mundo, incluindo os "fenomenais" rácios europeus - englobam nos seus somatórios outros profissionais secundários (auxiliares e todo o tipo de técnicos de Enfermagem).
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Esta minha "constatação da realidade" nem sempre é bem recebida. Mas se isto não interessa para uns assuntos, já interessa para outros. Se o FMI sustenta que os Enfermeiros portugueses auferem bons salários, logo vem a Guadalupe Simões (SEP) afirmar o que eé possível ler na imagem que ilustra este post!
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Já agora, importa questionar o seguinte: o mesmo argumento não é válido para os rácios?! É, pois!

domingo, Maio 11, 2014

DIE 2014


sexta-feira, Maio 09, 2014

III Jornadas do SUB de Ponte de Lima (ULSAM)

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Inscrições online, aqui. Esclarecimentos adicionais, aqui.

segunda-feira, Maio 05, 2014

A Enfermagem é Estalinista?


Durante alguns anos julguei falar sozinho, no decorrer sucessivo de exposições de um flagelo que parasita na Enfermagem e a tem corrompido e fragilizado – o Estalinismo.
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Oportunamente, o Enfermeiro José Correia Azevedo, por intermédio do seu blog (e não só), tem denunciado e objectivado várias situações que permitem corroborar os meus dizeres. Aliás, para não fugir à verdade, eu é que corroboro os seus!
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Uma vez mais, recorro às afirmações do Enf. José Azevedo, a bem da verdade e imparcialidade. 
Muito do que se vive, tragicamente, hoje, não surgiu ontem - resulta de escolhas estratégicas de há vários anos, entre elas a aliança entre a Enfermagem e os "vermelhos" (na era da Maria Augusta de Sousa, Jacinto Oliveira e restantes camaradas). 
Os mais atentos sabem que a Ordem dos Enfermeiros e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) constituíam uma célula difícil de circunscrever, com contornos mal definidos, num ambiente penumbroso. Por sua vez, estes cumpriam a agenda da CGTP (onde mora a FNAM – a dos médicos!!) e do Partido Comunista Português
Esta aliança terminou com a chegada do Enf. Germano Couto à Ordem dos Enfermeiros. Assim relata o Enfermeiro José Azevedo (o sublinhado é meu): "tudo começa a ficar mais claro, com o tempo decorrido, e com a mudança de inquilinos, na Ordem, que, independentemente do seu valor, ou falta dele detêm, o mérito natural de quebrar a cadeia de comando dos Enfermeiros Comunistas, (que fizeram da Ordem com o SEP o Sindicato Único, por que aspiram para quebrar a força dos Enfermeiros, diluindo-a pelos mais iguais e levando os anjinhos a pensar que só isso dá a força, que a Enfermagem precisa)".
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Curioso foi constatar uma acusação, lançada no pretérito, de que o Enf. Germano Couto queria partidarizar a profissão! Isto vindo de um grupo altamente conotado com o Comunismo, que, inclusivamente, permitia a presença exclusiva de deputados vermelhos, nas suas reuniões e eventos
Como sabem, do Comunismo nunca nada de bom proveio - constituiu-se como o regime ideológico que mais mortes trouxe ao mundo (muito mais do que o nazismo!)! Agora, que quase todo o seu espólio desapareceu, os que subsistem metabolizam na miséria ditatorial!
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Haverá alguém com bom senso admite que a sociedade evolui com base no "somos todos iguais"? Se a natureza nos fez todos diferentes, porque teimam os homens fazer-nos todos iguais? 
Que estímulos têm para investir, trabalhar ou estudar, se no fim… a recompensa é igual para todos (subtraindo até, que mais se empenhou, para entregar aquele que nada fez!)? Ora, contra factos não há argumentos, e o mundo têm várias e explícitas demonstrações das consequências do Comunismo! Não há argumentos, reitero!
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Dito isto, factos: A Ordem dos Enfermeiros, verdadeiramente interessada no bem-comum, promoveu uma reunião geral com todas as estruturas representativas da profissão, para conceber linhas orientadores para a defesa e promoção da dignidade da Enfermagem. Como em discussões alargadas os frutos não amadurecem muito, promoveu, também, reuniões sectoriais: reuniu com sindicatos, estruturas de ensino e organizações associativas de Enfermeiros, em tempos diferentes, uma vez que a especificidade dos assuntos é diferente, apesar da necessária convergência geral. Todos concordavam, todos participavam proactivamente, todos se interessavam genuinamente, com o SEP a servir de excepção. 
Naquela casa – é a única - ninguém diz nada, decide ou se compromete. Há que consultar os camaradas, o partido, etc, etc! Culminou isto na discordância do SEP em lutar pela categoria de Enfermeiro Especialista! O SEP não é uma entidade privada que DEFENDE os INTERESSES dos Enfermeiros?!
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Se a Ordem detém uma delegação de poderes do Estado e representa os seus interesses junto da profissão, regulando-a, já o SEP é um suposto conjunto de Enfermeiros que se juntou para defender os seus interesses, e o SEP, claramente, não sabe ou não quer saber quais são os interesses dos Enfermeiros!
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"Uma categoria de Enfermeiro Especialista na carreira, impede, de facto, o desenvolvimento da profissão de Enfermagem.
(Guadalupe Simões, SEP; reunião sectorial com a OE)
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Como é possível alguém não perceber a importância da categorização da profissão?! Como?!
Resposta da Ordem dos Enfermeiros, pela Voz da Enf. Lúcia Leite: "Quando a carreira foi aprovada, o que aconteceu foi que mesmo os Enfermeiros Especialistas, que já detinham essa categoria, viram nas suas folhas de vencimentos a desaparecer a categoria de Enfermeiro Especialista (…). Isto deu uma capacidade aos Conselhos de Administração de mobilizar os Enfermeiros Especialistas para qualquer outro serviço, com mais facilidade. Estou a dizer isto do ponto de vista da estrutura da Ordem nós só atribuímos títulos de Enfermeiro Especialista a quem já é Enfermeiro (Enfermeiro Especialista). 
Portanto não podemos impedir o Conselho de Administração de pôr o Enfermeiro Especialista a trabalhar como Enfermeiro (...) onde lhe aprouver, independentemente das considerações de se isto é bom ou não, para a satisfação das necessidades do cidadão".
Parece-me insensato e inconsistente a eliminação da categoria de Enfermeiros Especialista!
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A história continua e chega o dia 26 de Abril de 2014: Assembleia Geral Extraordinária da Ordem dos Enfermeiros que se realizou com o objectivo de submeter, novamente, à aprovação dos Enfermeiros o Plano de Actividades e Orçamento para 2014, chumbado pelas "forças do mal" (Azevedo dixit) a 21 de Março último.
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As mesmas caras, as mesmas dúvidas retóricas. Ir ao púlpito perguntar algo sobre o qual já se conhece, à partida, a resposta, é, no mínimo, estranho. Todavia, a antiga Bastonária Maria Augusta de Sousa e, Jacinto Oliveira, agora acompanhados pelas camaradas Teresa Marçal e Sara Alves de Brito, fizeram-no. Despudoradamente. Talvez esqueceram que estiveram na Ordem dos Enfermeiros em toda a linha da sua história e contribuíram como agora a realidade nos mostra – com um conjunto de estratégias duvidosas e um casamento comunista que nos deixa a pensar. 
A selectividade da memória não perdoou e Sara Alves de Brito – ex-Presidente de Mesa da Assembleia Geral – esqueceu, em dois anos, todo o tecido regimental, atropelando-o ostensivamente. Surgiram assim momentos... caricatos.
A oposição baralha-se, compromete-se, descompromete-se, faz questões que semeiam a desinformação e no final nem se entendem a eles próprios. Os dirigentes da Ordem dos Enfermeiros, responderam a tudo, com um a argumentação perfeitamente adequada. Convenceu todos, menos "os do costume". Volvidos dois anos, a derrota eleitoral ainda parece ensombrar os espíritos de muitos – os dos SEP, de frustração mal contida, e os dos comunistas!
Pensava eu que a Enfermagem se elevada acima dos outros interesses… Quanto me engano! Discutiu-se uma vez mais (eternamente) o Espaço Social do Enfermeiro. Não é uma obra para amanhã, é óbvio, é um projecto de médio/longo prazo para benefício da classe. Contudo, implica a emersão de sucessivas interrogações ardilosas e os mal-entendimentos propositados! Todos lhe reconhecem as vantagens, mas é uma boa arma de arremesso, lá isso é!

Outro capítulo - Plano de Actividades e Orçamento 2014: aprovado por maioria. Seguiu-se a votação relativa à redução do valor das quotização.
A confusão inerente à votação que se observou na última Assembleia no Porto... repetiu-se. Há quem vote sem saber o que está a votar. Discutem-se as vírgulas, os espaços e as formas geométricas.
A determinado momento, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Enf. Jorge Ribeiro Pires, deu indicação para se proceder à votação! Os membros dos actuais órgãos da Ordem dos Enfermeiros, liderados pelo Bastonário Germano Couto, votaram a favor da redução para 9 euros mensais e o séquito SEPiano/Maria Augusta de Sousa/ e Jacinto Oliveira e Guadalupe Simões votaram contraFicaram desfeitas as dúvidas!
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Nos pontos seguintes (Idoneidade Formativa dos Contextos de Prática Clínica/Certificação de Competências do Supervisor Clínico/Regulamento da estrutura de Idoneidades), fulcrais para o futuro da profissão, mas não tão populares e propícios para a conquista de futuros votos, a discussão é muito mais amena e concordante! – o que não deixa de ser singular!!
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Que "oposição" é esta que se preocupa com as vírgulas e deixa às agruras do vento frio o futuro da profissão?
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Termino, uma vez mais, com palavras do Enf. José Azevedo: "A Direcção da Ordem dos Enfermeiros conseguiu a aprovação da sua segunda convocatória, pois o risível da bastonária Augusta a dizer coisas, que nem ela entendia, como se provou, ao meter as mãos, em vez dos pés e vice-versa e mal apoiada pelo Jorge Rebelo e Guadalupe, (q' é feito de José Carlos Martins?) dadas as limitações acima referidas, visto que, na sua Organização (PCP), que José Carlos Martins consulta, antes das grandes decisões, como foi a de 7/11/2013, as ordens são para cumprir, e não se podem discutir olhando para a hierarquia; só é permitido discutir para o lado direito e para baixo, isto se querem reservar um lugar na iconoclastia Comunista."

quinta-feira, Maio 01, 2014

"Imaginem que não havia sindicatos"...!

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No primeiro de Maio, li algures na internet, o seguinte: "Imaginem que não havia sindicatos"...! 

 De facto, os sindicatos são estruturas de representação muito importantes na sociedade, todavia importa pormenorizar o contexto sindical dos Enfermeiros - é injusto colocar todos no mesmo saco.

Assim, permitam-me imaginar a seguinte alternativa para a afirmação em epígrafe: "imaginem que não havia SEP"! 
Bom, nesse caso, os Enfermeiros aufeririam 1400 euros* no início de carreira (ao contrário do que o SEP negociou!) e a categoria de Especialista não estava extinta** (ao contrário do que o SEP pretende!)! Portanto, estávamos melhores!
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* - link 1 (como pode um sindicato conseguir menos do que o que o Governo propõe?!!!)
** - link 2

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